19.jun.2026/AFP

Eleições Colômbia revelam país dividido entre aliado de Petro e ultradireitista

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A Colômbia se prepara para um segundo turno eleitoral decisivo neste domingo (21), mergulhada em um clima de profunda polarização que tem exaurido a população. Menos de um mês após o primeiro turno, realizado em 31 de maio, o país se vê diante de uma escolha que reflete uma sociedade fraturada entre a esquerda e a ultradireita, um cenário inédito para a nação andina.

eleições: cenário e impactos

O desgaste é palpável nas ruas e nas conversas cotidianas. “Tenho a impressão de que se trata mais de mensagens de ódio do que de debates lógicos”, observa o arquiteto Diego Jaramillo, 27, em Bogotá, às vésperas da votação. Ele ressalta como essa dinâmica afeta a convivência, transformando divergências políticas em inimizades pessoais. “Em vez de debatermos, acabamos discutindo por um lado ou pelo outro. E quem não pensa da mesma forma é visto como inimigo.”

A polarização que define o pleito colombiano

O cenário de divisão foi claramente desenhado no primeiro turno, que contrariou a maioria das projeções. O esquerdista Iván Cepeda, de 63 anos, um notório aliado do atual presidente Gustavo Petro, ficou surpreendentemente atrás de Abelardo de la Espriella, 47, um nome da ultradireita que alcançou 43,7% dos votos válidos, quase três pontos percentuais à frente de Cepeda.

Pesquisas subsequentes confirmaram a tendência. Levantamentos da empresa brasileira Atlas Intel, divulgados até 13 de junho, indicavam Espriella com 50,9% das intenções de voto, contra 43,1% para Cepeda, com uma margem de erro de dois pontos percentuais. Nulos, brancos e indecisos somavam 5,9%, evidenciando um pleito apertado e com desfecho incerto.

Os candidatos em disputa: Cepeda e de la Espriella

Iván Cepeda representa a continuidade de um projeto político progressista, alinhado com as políticas de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda eleito na história da Colômbia em 2022. Sua campanha busca consolidar as reformas e avanços sociais propostos pelo governo atual, enfrentando a resistência de setores mais conservadores da sociedade.

Por outro lado, Abelardo de la Espriella emerge como um “outsider” da ultradireita, cuja ascensão reflete um descontentamento com a política tradicional e uma busca por alternativas radicais. Sua retórica é marcada por um discurso anti-establishment, prometendo uma ruptura com o que ele define como “os de sempre” e “aqueles que viveram às custas do Estado”.

A retórica ultradireitista e o espelho regional

A estratégia de campanha de Abelardo de la Espriella ecoa táticas observadas em outros líderes de ultradireita na América Latina e no mundo. Após o primeiro turno, ele reforçou sua aposta na retórica polarizadora, afirmando: “Vamos celebrar a vitória dos que nunca viveram às custas do Estado, dos que nunca fizemos politicagem, contra os de sempre”.

Essa fórmula de desqualificar a classe política estabelecida e se apresentar como a única alternativa autêntica tem sido um motor para figuras como Donald Trump nos Estados Unidos, Javier Milei na Argentina, Nayib Bukele em El Salvador e Jair Bolsonaro no Brasil. Todos eles atacaram o que chamaram de “pântano”, “casta” ou “velha política”, capitalizando a frustração popular com a corrupção e as promessas não cumpridas.

Um contexto histórico de transformações políticas

O clima eleitoral atual é particularmente significativo para os colombianos. Por décadas, o país foi marcado por um conflito armado que dizimou uma geração de dirigentes de esquerda, tornando a eleição de um presidente progressista como Gustavo Petro em 2022 um marco histórico. A ascensão de um ultradireitista como Espriella, com sua linguagem combativa, revive tensões e desafios para a jovem democracia colombiana.

O sentimento de “desgaste de uma sociedade onde o adversário, seja de esquerda ou de direita, acaba se tornando quase um alvo militar, por assim dizer, não um alvo político”, como descreve Diego Jaramillo, reflete uma preocupação profunda com a coesão social. A Colômbia, que busca superar um passado de violência e polarização, se vê novamente em uma encruzilhada, onde o resultado das urnas definirá não apenas o futuro político, mas também o tom do debate público e da convivência nacional.

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