Esclerose múltipla na infância: o desafio do diagnóstico precoce e o controle da doença

Esclerose múltipla na infância: o desafio do diagnóstico precoce e o controle da doença

Saúde

A esclerose múltipla (EM) é frequentemente associada ao envelhecimento e a quadros de declínio cognitivo em idosos, um estigma que ignora a realidade de uma parcela significativa de pacientes. A condição, uma doença autoimune e inflamatória que afeta o sistema nervoso central, também acomete crianças e adolescentes, exigindo atenção redobrada de pais e profissionais de saúde. Embora o diagnóstico ainda carregue um peso emocional considerável, avanços científicos recentes têm transformado o prognóstico, permitindo uma vida com maior qualidade e estabilidade.

A realidade da esclerose múltipla na pediatria

A esclerose múltipla caracteriza-se pela formação de cicatrizes, as chamadas escleroses, ao longo do sistema nervoso. Esse processo compromete a transmissão dos impulsos elétricos entre os neurônios, resultando em sintomas variados, como tonturas, problemas de equilíbrio, visão embaçada e dificuldades cognitivas. Embora a incidência seja maior em mulheres jovens, entre 20 e 30 anos, especialistas alertam que a faixa etária pediátrica não está imune.

Dados da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI) indicam que entre 3% e 5% dos casos de esclerose múltipla apresentam os primeiros sintomas antes dos 18 anos. Manuela Fragomeni, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da SBNI, reforça que a associação popular da doença com o envelhecimento é um obstáculo para o reconhecimento precoce. “Essa associação faz com que muitas pessoas imaginem que a EM seja uma doença de pessoas mais velhas”, explica a especialista.

Diagnóstico precoce como chave para o controle

O cenário atual da medicina difere drasticamente das décadas anteriores, quando o acesso a terapias eficazes era limitado. Hoje, a detecção antecipada é o fator determinante para evitar sequelas graves e garantir que o paciente mantenha suas funções neurológicas preservadas. A neurologista Renata Paolilo, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP, destaca que os critérios diagnósticos foram atualizados para incluir crianças e jovens, facilitando a identificação da doença.

“Infelizmente, o diagnóstico de EM ainda traz bastante estigma negativo, mas isso decorre de dados do passado, de uma fase em que nós não tínhamos acesso a diagnóstico e tratamento precoces”, afirma Paolilo. A evolução dos protocolos terapêuticos, com medicamentos menos agressivos e mais específicos, permite que o quadro inflamatório seja controlado de forma mais eficiente, minimizando os impactos no desenvolvimento escolar e social do jovem paciente.

A vivência do paciente e o olhar da sociedade

Para crianças como Fellipe Mello Negrisoli, de 12 anos, conviver com a esclerose múltipla envolve aprender a gerir a própria condição no cotidiano. Em tratamento no Hospital das Clínicas há cerca de um ano, o jovem busca equilibrar a rotina com a necessidade de cuidados médicos constantes. A nova medicação que utiliza tem como objetivo principal assegurar a estabilidade do quadro, reduzindo as crises e permitindo que ele mantenha suas atividades habituais.

A experiência de Fellipe reflete um desafio comum entre pacientes pediátricos: a gestão da privacidade e a explicação da doença para o círculo social. A conscientização sobre a esclerose múltipla, celebrada anualmente, serve como um lembrete de que a informação correta é a melhor ferramenta para combater o preconceito. O acompanhamento multidisciplinar, que une neurologia, psicologia e suporte familiar, é fundamental para que o paciente não apenas trate o corpo, mas também compreenda e aceite sua condição com naturalidade.

O Diário Global segue acompanhando os avanços nas pesquisas sobre doenças autoimunes e o impacto das novas terapias na vida de crianças e adolescentes. Continue conosco para se manter informado sobre saúde, ciência e os desdobramentos que afetam a sociedade contemporânea.

Para mais informações sobre o tema, consulte o portal de referência da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil.

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