Turista é enganado por anos em anfiteatro grego falso construído por homem na Itália

Turista é enganado por anos em anfiteatro grego falso construído por homem na Itália

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A engenharia da fraude arqueológica em Vicenza

Um caso inusitado de falsificação histórica chocou as autoridades italianas e revelou a audácia de um homem que conseguiu enganar turistas durante anos. Franco Malosso, também conhecido como Franz von Rosenfranz, ergueu do zero uma estrutura que simulava um antigo anfiteatro grego na região de Arcugnano, nos arredores de Vicenza, no norte da Itália. O local, apresentado como um sítio arqueológico de valor inestimável, era, na verdade, uma construção moderna composta por cimento, poliestireno e estátuas de gesso.

A estratégia de Malosso envolvia técnicas de envelhecimento artificial para conferir credibilidade à farsa. Conforme relatos da CNN, o idealizador do projeto instruiu construtores locais a utilizarem materiais que dessem ao anfiteatro uma aparência secular. A estrutura, que incluía arquibancadas e colunas, foi instalada em uma área de paisagem protegida nas Colinas Berici, sob o pretexto original de ser uma garagem.

Narrativas fantasiosas e exploração financeira

Para sustentar a mentira, Malosso criou uma narrativa histórica elaborada. Ele alegava ter descoberto as ruínas após um deslizamento de terra e vinculava o local a figuras icônicas como Júlio César, Cleópatra e até a personagem literária Julieta Capuleto. A partir de 2014, o espaço passou a receber visitantes que pagavam ingressos variados, com valores que chegavam a 600 euros por visitas privadas de 45 minutos.

A fraude foi tão bem executada que o local chegou a ostentar avaliações de cinco estrelas no TripAdvisor. Turistas de diversas partes do mundo descreviam a experiência como “encantadora” e “única”, evidenciando o sucesso da encenação. A discrepância nos preços — cobrando mais caro de moradores locais do que de turistas estrangeiros — foi um dos pontos que chamou a atenção das autoridades durante o desenrolar das investigações.

Justiça e desdobramentos legais

A farsa começou a ruir em 2016, quando órgãos de proteção ao patrimônio cultural da Itália realizaram uma inspeção técnica. O tenente-coronel Giuseppe Marseglia, da divisão especializada em crimes contra o patrimônio artístico, afirmou que a natureza artificial da obra era evidente, permitindo que a perícia fosse concluída em um único dia. O impacto da descoberta levou a uma longa batalha judicial.

Em 2019, Malosso foi condenado por falsificação de obras de arte, construção sem autorização e danos ambientais. Após esgotar todos os recursos, a Corte de Cassação, instância máxima da Justiça italiana, manteve a sentença de 28 meses de prisão. Além da pena privativa de liberdade, o réu foi multado e a Justiça determinou a demolição da estrutura, visando a restauração da paisagem original da área protegida.

O caso serve como um lembrete sobre a importância da verificação de sítios históricos e a vulnerabilidade do setor turístico frente a golpes bem estruturados. O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos sobre a recuperação da área e os impactos desse caso para o turismo na região de Vicenza. Continue conectado conosco para mais reportagens exclusivas e análises aprofundadas sobre os fatos que movimentam o cenário internacional.

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