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Prisão de Rashid Mazaheri transforma goleiro em ícone de protestos na Copa de 2026

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Em um cenário onde o esporte e a política se entrelaçam de forma complexa, o caso do goleiro iraniano Rashid Mazaheri emergiu como um potente símbolo de protesto contra o regime islâmico do Irã. Durante o empate por 0 a 0 entre Irã e Bélgica, em 21 de novembro, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, um torcedor iraniano levantou uma faixa no SoFi Stadium, em Los Angeles, com a pergunta que ecoa a preocupação de muitos: “Onde está Rashid Mazaheri?”.

A manifestação em solo americano não foi um incidente isolado. No mesmo jogo, outros torcedores iranianos vaiaram o hino da República Islâmica e viraram as costas em um claro ato de repúdio ao regime. O estádio se transformou em um palco de manifestações, evidenciando a crescente insatisfação e a coragem de expressá-la, mesmo a milhares de quilômetros de casa. A situação de Mazaheri, preso desde fevereiro por criticar o então líder supremo Ali Khamenei, ilustra a dura realidade enfrentada por atletas e cidadãos que ousam desafiar a narrativa oficial.

O Goleiro Rashid Mazaheri: Um Símbolo de Resistência na Copa

Rashid Mazaheri, que por anos atuou como goleiro reserva da seleção iraniana e chegou a participar da Copa do Mundo de 2018 na Rússia, construiu uma carreira sólida em clubes como o Esteghlal e o Sepahan. Sua prisão, contudo, não se deu por motivos esportivos. Em fevereiro deste ano, ele publicou uma frase em sua conta no Instagram classificando Ali Khamenei como “apenas um capítulo sombrio e passageiro” na história do Irã. A repercussão foi imediata e severa.

Forças de segurança do regime invadiram a casa do goleiro em 25 de fevereiro, apreenderam seus aparelhos de comunicação e apagaram a publicação. Mazaheri desapareceu, e sua conta foi silenciada. Semanas depois, a agência Mizan, porta-voz oficial do Judiciário iraniano, confirmou a prisão, mas com uma versão diferente: o goleiro teria sido detido ao tentar “sair ilegalmente, disfarçado, oferecendo suborno a guardas de fronteira”. As acusações incluíram “corrupção de funcionário público”, “propaganda contra o regime em tempo de guerra” e “tentativa de saída ilegal do país”. A esposa de Mazaheri, Maryam Abdollahi, denunciou nas redes sociais que o marido estava em “confinamento solitário severo” na prisão de Urmia, no noroeste do Irã, uma alegação negada pelo Judiciário.

A Sombra da Repressão: Atletas Iranianos sob Ataque

O caso de Mazaheri não é um incidente isolado, mas parte de um padrão mais amplo de repressão que atinge o futebol iraniano e o esporte em geral no país. O Irã chegou à Copa do Mundo de 2026 sob a sombra de uma violenta repressão contra atletas e figuras ligadas ao futebol. Segundo um levantamento da organização Human Rights for Sport, com sede na Noruega, ao menos 44 jogadores foram mortos durante os protestos contra o regime entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, e outros dez permanecem presos, alguns sob risco iminente de execução.

Entre as vítimas fatais, destacam-se nomes como Pedram Khaloui, um jovem jogador de 15 anos das categorias de base do Sepahan Isfahan, morto por um tiro no peito em 9 de janeiro. Mohammad Hajipour, ex-goleiro da seleção iraniana de futebol de areia, foi morto em 8 de janeiro, e seu corpo só foi liberado sob a condição de que a família atribuísse a morte a um acidente de trânsito. O ex-jogador profissional Mojtaba Tarshiz foi baleado em Teerã enquanto protegia sua esposa. A repressão também atingiu mulheres, como Zahra Azadpour, jogadora de futebol feminino, e Sahba Rashtian, árbitra assistente, ambas assassinadas a tiros durante as manifestações.

A situação dos presos é igualmente alarmante. Ehsan Hosseinipour Hesarloo, atleta do clube Jahan Gostar, foi condenado à morte pela Suprema Corte iraniana em um processo marcado por denúncias de tortura e ausência de defesa. Amirhossein Ghaderzadeh, de 19 anos, jogador das categorias de base do Sepahan, foi submetido a desaparecimento forçado e tortura, segundo a Anistia Internacional.

Casos Emblemáticos de Perseguição no Esporte

A perseguição a atletas críticos do regime não é um fenômeno recente. Durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022, o ex-capitão da seleção iraniana Voria Ghafouri foi preso após criticar a repressão do regime às manifestações desencadeadas pela morte de Mahsa Amini e defender o fim da violência contra manifestantes. Mais recentemente, na preparação para a Copa de 2026, o atacante Sardar Azmoun, terceiro maior artilheiro da história da seleção, foi excluído da lista final de convocados após publicar uma fotografia ao lado de Mohammed bin Rashid Al Maktoum, governante de Dubai e primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos. Embora a imprensa estatal tenha atribuído a ausência a uma lesão, veículos opositores relataram que a imagem foi vista como um ato de “deslealdade” em meio à guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel.

A seleção feminina de futebol do Irã também foi alvo. Durante a Copa da Ásia, em março deste ano, sete jogadoras pediram proteção humanitária na Austrália após se recusarem a cantar o hino nacional. Cinco delas desistiram do pedido de asilo devido a ameaças a familiares no Irã, enquanto apenas duas permaneceram exiladas. Esses episódios ressaltam a pressão constante e as consequências severas enfrentadas por quem desafia o regime, mesmo que simbolicamente.

Futebol e Política: A Interferência do Regime e a Posição da FIFA

A interferência do regime no futebol iraniano se estende para além da perseguição individual. A delegação iraniana que embarcou para a Copa do Mundo deste ano foi acusada pelo governo dos EUA de tentar incluir integrantes com ligações diretas com a Guarda Revolucionária Islâmica, classificada como organização terrorista por Washington. O secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, afirmou que, enquanto a maioria das seleções viajou com cerca de 120 integrantes, os EUA autorizaram a entrada de apenas 53 nomes da comitiva iraniana, impedindo a entrada de indivíduos com vínculos com a Guarda Revolucionária. A Federação Iraniana de Futebol negou as acusações.

Um relatório do Conselho Nacional da Resistência do Irã, grupo de oposição, acusou a Guarda Revolucionária de usar clubes, estádios e estruturas da federação iraniana de futebol para vigiar torcedores e reprimir dissidentes. O relatório aponta o uso de câmeras de reconhecimento facial, bilheteria vinculada ao registro civil e monitoramento de líderes de torcida. Além disso, afirma que pelo menos 15 figuras ligadas à Guarda Revolucionária ou a órgãos de segurança exerceram cargos de direção no futebol, incluindo Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol, apontado como ex-oficial de inteligência da Guarda Revolucionária. O jornalista brasileiro João Castelo-Branco, da ESPN, observou que os jogadores iranianos nos EUA “não conseguem falar o que pensam”, pois a estrutura que cerca a equipe está ligada ao regime. A oposição iraniana pede que a FIFA reavalie a participação do Irã em competições oficiais, alegando violação das regras de independência das federações e proibição de interferência política. Para mais informações sobre direitos humanos no Irã, consulte relatórios de organizações como a Anistia Internacional.

A cada partida da seleção iraniana, a tensão entre o esporte e a política se torna mais evidente, transformando os campos de futebol em arenas de um protesto silencioso, mas poderoso. O Diário Global continuará acompanhando de perto os desdobramentos dessa complexa intersecção entre o futebol, os direitos humanos e a política internacional, trazendo análises aprofundadas e informações relevantes para nossos leitores. Mantenha-se informado com a credibilidade e a variedade de temas que só o Diário Global oferece.

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