A influência da magreza extrema na autoimagem de adolescentes e os riscos à saúde mental

A influência da magreza extrema na autoimagem de adolescentes e os riscos à saúde mental

Saúde

A exposição constante a padrões de beleza que exaltam a magreza extrema, especialmente através de figuras públicas e celebridades, tem gerado um alerta crescente entre especialistas em saúde mental. Para adolescentes, fase marcada pela busca por identidade e aceitação, o consumo diário dessas imagens pode desencadear distorções graves na autopercepção e contribuir para o surgimento ou agravamento de transtornos alimentares.

O impacto da cultura da magreza na vulnerabilidade juvenil

A psiquiatra Mireille Coelho, da Associação Brasileira de Transtornos Alimentares (Astral), destaca que o público adolescente é particularmente suscetível a figuras de referência. Quando jovens observam personalidades bem-sucedidas que exibem corpos muito abaixo do peso recomendado, ocorre uma associação perigosa entre o sucesso e a magreza extrema. Esse fenômeno atua como um gatilho, reforçando o desejo de emagrecimento a qualquer custo e validando padrões estéticos que, muitas vezes, são biologicamente insustentáveis.

O caso recente da cantora Ariana Grande, que anunciou uma pausa em sua carreira após enfrentar julgamentos intensos sobre sua aparência, ilustra como a pressão estética atinge até mesmo figuras de destaque. Segundo a especialista, a naturalização de corpos excessivamente magros na mídia altera a percepção coletiva sobre o que constitui um peso saudável, transformando a imagem corporal em uma construção social distorcida que prejudica tanto quem já apresenta quadros de adoecimento quanto aqueles com predisposição genética a transtornos alimentares.

Comparação disfuncional e a construção da identidade

Ivani Oliveira, presidente do Conselho Federal de Psicologia, aponta que a exposição contínua a esses padrões gera um fenômeno de comparação disfuncional. Em um cenário onde as redes sociais potencializam a visualização de corpos editados ou naturalmente muito magros, o adolescente perde a referência do que é a diversidade biológica. O tratamento psicológico, nesse contexto, torna-se essencial para fortalecer a compreensão da própria história de vida do paciente.

O objetivo terapêutico é desvincular a admiração por artistas e influenciadores da necessidade de adotar seus corpos como modelos de autoimagem. É fundamental que o jovem aprenda a valorizar as contribuições intelectuais, artísticas e os valores de seus ídolos, sem que isso se traduza em uma busca obsessiva por uma forma física inalcançável ou prejudicial à saúde.

A complexidade da disforia de imagem

A compreensão da forma corporal divide-se entre o aspecto técnico — o que é visível aos olhos — e o subjetivo, que reside na mente de cada indivíduo. A disforia de imagem, condição em que a pessoa não consegue enxergar a si mesma de forma realista, é agravada por essa pressão social constante. Em pacientes com esse diagnóstico, a autoimagem oscila conforme o humor, influenciada por fatores hormonais ou eventos cotidianos.

Mesmo com acompanhamento profissional, o processo de reeducação da autoimagem pode ser longo e desafiador. A disforia é apontada como um dos principais fatores de recaída em transtornos como a anorexia e a bulimia, tornando a conscientização sobre o impacto das mídias um passo fundamental na prevenção. Para aprofundar-se em temas de saúde, comportamento e sociedade, continue acompanhando o Diário Global, seu portal de referência para informações contextualizadas e de qualidade.

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