Jarbas Soares Junior refuta envolvimento em aporte financeiro para instituto de André Mendonça

Jarbas Soares Junior refuta envolvimento em aporte financeiro para instituto de André Mendonça

Politica

O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Junior, veio a público para negar categoricamente qualquer intermediação em uma operação que visava aplicar recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no Instituto Iter, entidade vinculada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A controvérsia surge em meio a comentários e mensagens que circularam em grupos de WhatsApp, sugerindo um elo entre as partes.

Soares Junior expressou seu desconhecimento sobre o assunto, afirmando ter tomado ciência apenas pela imprensa. “Desconheço esse assunto. Vi apenas na imprensa. Acho uma maldade querer me envolver nessas questões”, declarou à coluna, refutando as insinuações de seu envolvimento.

As alegações e o elo familiar

Os rumores que ligam Jarbas Soares à suposta operação mencionam seu parentesco com o advogado lobista Ciro Soares, seu primo. Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicam que Ciro Soares, em conjunto com o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), teria articulado um encontro entre Vorcaro e o ministro André Mendonça no gabinete do magistrado.

Outros diálogos revelam que Ciro Soares enviou a Vorcaro o endereço do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no final de 2024. O advogado, por sua vez, defende que não há irregularidades em suas comunicações. Em maio de 2024, Ciro, Gonet e Vorcaro estiveram juntos em Londres para uma degustação de uísque, evento promovido pelo ex-banqueiro, o que adiciona mais um ponto de conexão entre os envolvidos.

O investimento no Instituto Iter e as versões

As informações que circularam nas redes sociais e grupos de mensagens sugerem que Jarbas Soares e o empresário do setor de mineração Lucas Pedro Kallas, da Cedro Participações, estariam envolvidos em um aporte de R$ 5 milhões para o Instituto Iter. No entanto, a assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal informou que o ministro Mendonça não costuma tratar de assuntos relacionados ao Iter.

O Instituto Iter, por meio de sua assessoria, negou veementemente a participação de Daniel Vorcaro no financiamento. “É falsa a afirmação de que Daniel Vorcaro tenha aportado recursos no instituto”, declarou a entidade. “Atribuir a Vorcaro o aporte é leviano e não encontra respaldo em nenhum fato ou documento. O ex-banqueiro jamais investiu no instituto, jamais manteve com ele qualquer relação contratual, financeira ou de qualquer outra natureza.”

O Iter esclareceu que o investimento foi, na realidade, realizado pela Cedro Participações, de Lucas Pedro Kallas, por meio de um contrato de mútuo conversível, formalizado em abril de 2024. Este contrato foi devidamente registrado no balanço da instituição e declarado aos órgãos competentes, permitindo que os recursos sejam devolvidos ou convertidos em participação acionária no futuro. À época da celebração do contrato, Kallas integrava o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República. É importante ressaltar que, naquele período, o ministro Mendonça não era o relator de qualquer inquérito envolvendo Kallas ou a Cedro.

Relações e conexões no cenário político-jurídico

Jarbas Soares Junior reforçou que jamais teve qualquer participação na construção, negociação ou celebração do contrato de mútuo com o Iter. Sua relação com Lucas Pedro Kallas, no entanto, é de longa data e publicamente conhecida. Jarbas já foi citado nas redes sociais por ter utilizado o jato particular de Kallas em duas ocasiões. Em 2023, durante uma sessão do Conselho Superior do Ministério Público, Jarbas descreveu Kallas como um “empresário do meu convívio pessoal, meu amigo da área familiar”. O ministro André Mendonça também já utilizou uma aeronave de Kallas para viajar a Itabira.

Lucas Pedro Kallas, por sua vez, tem um histórico que inclui uma prisão em 2008, durante a Operação João de Barro, da Polícia Federal. Sua assessoria informou, na época, que “os fatos foram esclarecidos nas vias judiciais”.

Em abril de 2025, Jarbas Soares chegou a anunciar em suas redes sociais que seria “o representante em Minas do Instituto Iter”. Questionada recentemente, a assessoria do instituto não soube especificar o cargo exato que ele exercia. Jarbas, contudo, esclareceu à coluna: “Não sou representante mesmo. A minha relação com o Iter era acadêmica. Organizamos os cursos aqui conforme a demanda. Passávamos para o Iter os pedidos, eles aprovavam ou negavam, aí montávamos os cursos. Uma relação republicana.”

Ele também fez questão de diferenciar sua amizade com o ministro André Mendonça de qualquer envolvimento em negócios. “Sou amigo do ministro André Mendonça, mas não tenho intimidade para entrar na sua vida particular ou profissional”, disse Jarbas. “Era uma grande honra estar com o Iter no projeto acadêmico, mas não sou parte dos negócios jurídicos, até porque não fui convidado.”

As conexões de Jarbas Soares se estendem a outras figuras proeminentes. Em julho de 2024, ele publicou uma foto com Paulo Gonet no Dia do Amigo, apresentando-o como seu “novo velho amigo” e elogiando sua atuação como PGR, que “tem sido exemplo para toda a classe, de comedimento e firmeza”. Jarbas Soares também tem um passado político, tendo sido candidato a vice-governador de Minas pelo PSB na chapa de Patrus Ananias (PT).

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