Em um esforço diplomático de alto nível, Jared Kushner, genro e assessor sênior do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteve em Jerusalém nesta segunda-feira (17 de agosto de 2026) para uma reunião crucial com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. O objetivo do encontro era tentar destravar o plano de paz proposto pela administração Trump para a Faixa de Gaza, uma iniciativa que enfrenta complexos desafios e resistências de ambos os lados do conflito.
A visita de Kushner a Jerusalém ganhou um peso adicional por ocorrer um dia após sua participação em um raro encontro no Cairo com Khalil al-Hayya, o novo líder do grupo terrorista Hamas. Essa sequência de reuniões sublinha a urgência e a dificuldade de mediar um acordo em uma das regiões mais voláteis do mundo, buscando um caminho para a estabilização e a segurança.
A complexa missão diplomática de Jared Kushner
A presença de Jared Kushner no Oriente Médio reflete a persistência da diplomacia americana em buscar uma solução para o impasse em Gaza. O encontro com Khalil al-Hayya, que assumiu a liderança máxima do Hamas no mês passado após a morte de Yahya Sinwar em outubro de 2024 pelas forças israelenses, marca um ponto significativo nas tratativas. Fontes a par das negociações, que preferiram manter o anonimato, confirmaram a reunião de domingo (16) no Cairo.
A agenda de Kushner é ambiciosa: ele busca reativar uma proposta que visa a retirada gradual das tropas israelenses de Gaza em troca do desarmamento do Hamas. Este plano, originalmente delineado por Donald Trump, prevê uma abordagem em etapas, onde o avanço no desarmamento do grupo seria acompanhado pela saída das forças de Tel Aviv do território palestino.
O plano americano e a resistência israelense
A proposta dos EUA para Gaza inclui a implementação de uma “Força Internacional de Estabilização” que atuaria em conjunto com uma nova força civil e policial palestina. O objetivo seria garantir a segurança e a ordem na Faixa de Gaza após a retirada israelense. No entanto, o plano tem enfrentado forte oposição por parte do governo de Israel.
O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu rejeitou publicamente, no início deste mês, os termos do acordo apoiado por Washington. Sua posição é clara: Israel só retirará suas forças de Gaza após o completo desarmamento do Hamas e de outros grupos armados presentes no território. Diplomatas indicam que é improvável que Israel faça concessões significativas sobre Gaza antes das eleições nacionais de 27 de outubro, onde a coalizão governista de Netanyahu aparece atrás nas pesquisas de opinião.
Atores e desafios nas negociações de paz
Jared Kushner não esteve sozinho em sua missão. Ele foi acompanhado por Nickolay Mladenov, enviado do Conselho de Paz de Trump para Gaza. Mladenov, um ex-funcionário da ONU com fortes laços com os Emirados Árabes Unidos, tem sido uma figura central na mediação do acordo de desarmamento do mês passado e é creditado como um dos principais responsáveis pela tentativa de implementar o plano de 20 pontos de Trump.
Apesar de Israel e Hamas terem aceitado o plano original no ano passado, o progresso tem sido mínimo. Israel continua realizando ataques contra Gaza, mesmo após ter concordado com um cessar-fogo como parte da proposta de Trump. Em contrapartida, o Hamas aceitou um novo roteiro de 15 pontos apoiado pelos EUA no mês passado, mas Israel rejeitou este documento, evidenciando a profunda desconfiança e os obstáculos persistentes.
O contexto regional e a visão de Trump
Em meio à estagnação dos esforços diplomáticos para resolver os conflitos no Oriente Médio, Donald Trump tem utilizado suas plataformas para reiterar posições estratégicas. Recentemente, ele afirmou nas redes sociais que seu objetivo primordial é, e sempre será, impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Essa declaração contextualiza a abordagem de sua administração para a segurança regional, onde a questão iraniana se entrelaça com a estabilidade de Gaza e as relações entre Israel e seus vizinhos.
A busca por um plano de paz duradouro em Gaza continua sendo um dos maiores desafios da diplomacia internacional. As negociações, mediadas por figuras como Jared Kushner, refletem a complexidade de interesses, a intransigência política e a profunda desconfiança entre as partes envolvidas. Acompanhar de perto esses desenvolvimentos é fundamental para compreender o futuro da região.
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