A Diocese de Chiclayo, no Peru, anunciou o início do processo de beatificação e canonização de Monsenhor Juan Tomis Stack, um padre missionário americano cuja vida de dedicação e serviço nas comunidades mais pobres do norte peruano deixou um legado profundo. Reconhecido internacionalmente por ter sido a grande inspiração para a vocação missionária do atual pontífice, o Papa Leão XIV, conforme comunicado nesta semana, a iniciativa marca um passo significativo para a Igreja Católica.
Por mais de duas décadas, Tomis Stack entregou-se integralmente aos necessitados, transformando realidades e semeando esperança em regiões marcadas pela pobreza extrema. Seu exemplo, que ecoou até o Vaticano, agora será formalmente analisado, abrindo caminho para que ele possa ser elevado aos altares, um reconhecimento de suas virtudes cristãs em grau heroico.
A vida dedicada de Juan Tomis Stack nas comunidades peruanas
Nascido em Bridgeport, Connecticut, nos Estados Unidos, Juan Tomis Stack sentiu o chamado para a vida missionária após o Concílio Vaticano II. Em 1963, ele aceitou o desafio de se mudar para a América Latina, estabelecendo-se inicialmente na província de Santa Cruz, em Cajamarca, no Peru. Naquela época, a região enfrentava condições precárias, sem acesso básico a eletricidade, água potável ou estradas seguras, um cenário que exigia mais do que apenas evangelização.
Com notável perseverança e fé inabalável, Tomis não se limitou à pregação. Ele liderou ativamente a construção de vias de acesso, promoveu melhorias na saúde e na alimentação das crianças locais e engajou-se no desenvolvimento estrutural da região. Seu trabalho foi tão abrangente e profundo que ele se tornou uma figura central para os moradores, sendo considerado um guia espiritual e um verdadeiro pai para a comunidade que serviu por tantos anos, deixando uma marca indelével na vida de milhares de pessoas.
A profunda influência sobre o Papa Leão XIV
A influência de Monsenhor Juan Tomis Stack sobre o Papa Leão XIV é direta e profundamente pessoal. O pontífice mencionou publicamente, em diversas ocasiões, que o testemunho de vida e a entrega total de Tomis aos mais necessitados foram os pilares que sustentaram sua própria decisão de seguir a vocação missionária dentro da Igreja Católica. Essa conexão direta entre um missionário de base e o líder máximo da Igreja confere um peso simbólico global ao processo de beatificação.
Para a Igreja, elevar Tomis aos altares é também uma forma de valorizar o trabalho abnegado de milhares de outros missionários que atuam em áreas remotas e desafiadoras ao redor do mundo. O reconhecimento de suas virtudes heroicas serve como um farol, inspirando novas gerações a seguir o caminho do serviço e da caridade, reforçando a importância da missão evangelizadora e social da Igreja em contextos de vulnerabilidade.
Legado em Chiclayo: uma “família paroquial” e obras sociais
Após os anos desafiadores em Cajamarca, Tomis transferiu-se para Chiclayo em 1967, onde fundou a Paróquia São João Maria Vianney. Ali, ele transformou a ideia tradicional de paróquia em uma verdadeira “família paroquial”, criando uma rede de apoio social sem precedentes na cidade. Suas iniciativas de maior impacto incluíram a criação de tropas de escoteiros para jovens, o programa Férias Úteis para crianças carentes e a fundação de clínicas médicas populares.
Além disso, ele estabeleceu bibliotecas e promoveu festivais culturais e religiosos que uniam a comunidade. Tomis também foi pioneiro no uso da comunicação, realizando missas televisionadas que levavam conforto espiritual a quem não podia sair de casa, ampliando o alcance de sua mensagem. Por esse trabalho incansável de caridade ativa e promoção humana, ele recebeu o título de monsenhor das mãos do Papa João Paulo II em 1979, consolidando seu legado antes de sua morte em 1986.
O rigoroso processo de beatificação e a esperança em Chiclayo
O anúncio feito por Dom Edinson Farfán Córdova marca o início da fase diocesana do processo de beatificação. Nesta etapa, uma comissão dedicada recolherá todos os documentos, cartas e escritos de Juan Tomis Stack. Além disso, serão ouvidos testemunhos de pessoas que conviveram com ele ou que alegam ter recebido graças por sua intercessão, buscando comprovar a “fama de santidade” do candidato.
Após a conclusão dessa minuciosa investigação local, todos os documentos são enviados ao Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano. Para que Juan Tomis Stack seja declarado beato, a Igreja exige a comprovação de um milagre ocorrido por sua intercessão, um passo crucial no caminho para a canonização. O clima em Chiclayo é de grande esperança e expectativa, refletido na lembrança do funeral do padre, em 1986, que reuniu mais de 20 mil pessoas em uma das maiores manifestações populares da história daquela região peruana, evidenciando o profundo carinho e respeito que a comunidade nutre por ele. Para mais informações sobre o processo de beatificação na Igreja Católica, você pode consultar o site do Vatican News.
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