A recente divulgação da lista de indicados ao VMA 2026 trouxe à tona uma discussão que divide fãs e especialistas da indústria fonográfica: afinal, o grupo KATSEYE pode ser classificado como K-pop? Com duas indicações na premiação, incluindo a categoria de melhor clipe de K-pop — onde concorre com nomes consagrados como BLACKPINK, BTS, LE SSERAFIM e a solista Lisa —, o grupo tornou-se o epicentro de um debate sobre a própria definição do gênero musical na era da globalização.
A indústria como critério de definição
Para muitos analistas, o impasse reside em saber se o K-pop deve ser tratado como um gênero musical ou como um modelo de negócio. Carol Steinert, editora-chefe da Hit Magazine, defende que o termo descreve, na verdade, uma indústria estruturada. “O K-pop sempre foi uma mistura de diversos gêneros musicais. A indústria engloba as chamadas ‘fábricas de idols’, o rigoroso tempo de treinamento e toda a logística de lançamento coreana. Sob essa ótica, o KATSEYE se enquadra, já que foi formado dentro desses moldes”, explica.
O grupo é fruto de uma parceria estratégica entre a HYBE, gigante sul-coreana, e a Geffen Records, gravadora norte-americana. Formado através do reality show Dream Academy, o conjunto conta com integrantes de diversas nacionalidades: Yoonchae (Coreia do Sul), Daniela, Lara e Megan (Estados Unidos), além de Sophia (Filipinas) e Manon (Suíça), estas últimas atualmente em hiato.
Um caminho inédito entre o oriente e o ocidente
O jornalista Fefo Caires, especialista no segmento, aponta que o KATSEYE percorre um caminho sem precedentes, o que dificulta sua categorização. Embora o grupo utilize plataformas de divulgação típicas do mercado coreano, como os populares music shows, o repertório não é cantado em coreano e o projeto foi desenhado desde o início com um viés global, distanciando-se do padrão tradicional de exportação da música sul-coreana.
“Elas combinam características dos grupos de K-pop, buscando criar um equilíbrio entre o que há de mais lucrativo e eficiente em todos os mercados”, observa Caires. Essa estratégia híbrida gera desconforto em parte do público, que acusa o grupo de transitar entre as identidades de “K-pop” e “grupo global” conforme a conveniência mercadológica, uma crítica que ecoa protestos anteriores de artistas como o BTS sobre a segmentação de categorias em premiações internacionais.
Comparação com o BLACKPINK e o futuro das categorias
A resistência em aceitar o KATSEYE como K-pop contrasta com a aceitação natural do BLACKPINK, apesar de o quarteto também possuir integrantes estrangeiras, como a neozelandesa Rosé e a tailandesa Lisa. A diferença fundamental, segundo especialistas, reside na origem do treinamento e na estratégia inicial de mercado, que no caso do BLACKPINK foi estritamente voltada ao público sul-coreano em seus primeiros anos.
Diante desse cenário, vozes da indústria sugerem que a distinção por gênero baseada na origem geográfica pode estar se tornando obsoleta. “Acho que todos deveriam ser considerados apenas ‘pop’ e assim poderiam concorrer contra todos os artistas igualmente, sem distinção de origem”, sugere Steinert. Enquanto a indústria não chega a um consenso, o KATSEYE segue desafiando as fronteiras tradicionais da música, provando que o rótulo de K-pop está em constante mutação.
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