O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou nesta sexta-feira (3) o reconhecimento da vitória de Keiko Fujimori nas eleições presidenciais do Peru. O anúncio, feito por meio de uma publicação nas redes sociais, ocorre em um cenário de intensa polarização e questionamentos por parte da esquerda peruana, liderada pelo candidato derrotado Roberto Sánchez, que contesta o resultado do pleito em cortes internacionais.
A congratulação de Lula a Fujimori, figura de direita e filha do ex-ditador Alberto Fujimori, sublinha um momento de reconfiguração política na América Latina. Em sua mensagem, o presidente brasileiro desejou “pleno êxito na condução de seu mandato e na importante tarefa de agregar o povo peruano em torno de um projeto comum de desenvolvimento”, reforçando o compromisso do Brasil em construir uma América do Sul “mais próspera, integrada, democrática e soberana”.
A controvertida vitória de Keiko Fujimori
As eleições peruanas, cujo segundo turno ocorreu em 7 de junho, foram marcadas por uma disputa acirradíssima e uma longa espera pelo resultado oficial, divulgado apenas nesta sexta-feira. Keiko Fujimori venceu com uma margem mínima, obtendo 50,135% dos votos válidos contra 49,865% de Roberto Sánchez. A pequena diferença de votos foi o principal catalisador para a judicialização do processo eleitoral.
À semelhança do que Keiko havia feito em pleitos anteriores, Sánchez buscou anular milhares de votos, especialmente aqueles provenientes do exterior, que foram decisivos para a vitória da agora presidente eleita. O candidato de esquerda não apenas convocou manifestações populares, mas também escalou a contestação para o âmbito internacional, apresentando um recurso à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) na última quarta-feira (1º), questionando a legitimidade do resultado.
O cenário político peruano e a sombra de Fujimori
A eleição de Keiko Fujimori insere-se em um contexto de profunda instabilidade política no Peru. O país tem enfrentado uma sucessão vertiginosa de chefes de governo, com oito presidentes diferentes em apenas dez anos, desde que Ollanta Humala concluiu seu mandato em 2016. Keiko, ao assumir em 28 de julho para um mandato de cinco anos, será a nona líder a ocupar o cargo nesse período.
Esta não é a primeira vez que Keiko disputa a presidência. Ela já havia concorrido e sido derrotada em três outras ocasiões: em 2011 para Humala, em 2016 para Pedro Pablo Kuczynski (PPK) por uma margem de apenas 0,2%, e em 2021 para Pedro Castillo, padrinho político de Roberto Sánchez. Sua persistência e a polarização que sua figura gera são reflexos da complexa herança política peruana.
A sombra de seu pai, o ex-ditador Alberto Fujimori, que governou o Peru com mão de ferro entre 1990 e 2000, ainda paira sobre a política nacional. O “autogolpe” de 1992, que desmantelou o sistema político da época, é frequentemente apontado como a origem da atual fragmentação e informalidade do cenário político peruano. O regime de Alberto Fujimori também é lembrado pelo combate implacável às guerrilhas Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Túpac Amaru, grupos conhecidos por sua violência brutal, especialmente nas regiões mais empobrecidas do país. Para mais informações sobre a política peruana, você pode consultar notícias da BBC News Brasil.
Brasil e a diplomacia sul-americana
A vitória de Keiko Fujimori no Peru, somada à eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia, ambos representantes da direita, contribui para um cenário de aparente “isolamento” do governo de esquerda de Lula na América Latina. Esse movimento regional de pêndulo político desafia a diplomacia brasileira a recalibrar suas estratégias de aliança e cooperação, buscando pontos de convergência mesmo com governos de diferentes espectros ideológicos.
A mensagem de Lula, embora protocolar, demonstra a intenção de manter canais abertos e de trabalhar pela integração regional, independentemente das orientações políticas dos países vizinhos. A construção de uma América do Sul unida em torno de pautas de desenvolvimento e soberania continua sendo um objetivo declarado da política externa brasileira, mesmo diante das mudanças no tabuleiro político continental.
Os desdobramentos da posse de Keiko Fujimori e a forma como seu governo lidará com as contestações internas e as relações regionais serão acompanhados de perto. O Diário Global continuará a trazer as análises mais aprofundadas e as últimas notícias sobre este e outros temas relevantes que moldam o cenário político e social do Brasil e do mundo. Mantenha-se informado com a credibilidade e a variedade de temas que só o Diário Global oferece.
