19.nov.24/Presidência da República

Lula e OMS intensificam apelo ao G7 por conclusão de tratado global contra pandemias

Saúde

Em um movimento coordenado e de grande relevância para a saúde pública mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, uniram forças para fazer um apelo contundente aos líderes do G7. A mensagem, divulgada nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, exige a “coragem” necessária para finalizar o tratado internacional que visa aprimorar a gestão de futuras pandemias. A iniciativa busca superar as divergências persistentes entre nações ricas e em desenvolvimento, que têm travado o progresso do acordo.

O comunicado conjunto, assinado pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e pelo presidente brasileiro, ressalta a urgência de “vontade política no mais alto nível” para concluir uma parte fundamental que ainda permanece em aberto. Lula, que participará como convidado da cúpula do G7 na cidade francesa de Evian, reforça a posição de que o mundo precisa honrar o compromisso assumido durante a crise da Covid-19: estar preparado para a próxima ameaça sanitária global.

A urgência do tratado sobre pandemias e o apelo ao G7

A demanda por um acordo robusto e equitativo não é nova, mas ganha um novo fôlego com a pressão direta sobre os líderes das sete maiores economias do mundo. O tratado sobre pandemias, adotado em princípio no ano passado, é visto como um pilar essencial para evitar a repetição do caos e das desigualdades observadas durante a pandemia de Covid-19. A colaboração entre a OMS e o Brasil, um país em desenvolvimento com grande influência diplomática, sublinha a necessidade de uma abordagem global e inclusiva.

“O mundo deve concluir o que começou”, declararam os dirigentes, enfatizando que a finalização do acordo é uma questão de responsabilidade coletiva. A cúpula do G7 em Evian representa uma oportunidade crucial para que os líderes demonstrem liderança e instruam seus negociadores a avançar nas discussões que se arrastam há meses.

O ponto de discórdia: acesso a patógenos e repartição de benefícios

O principal entrave para a conclusão do tratado reside no mecanismo de acesso a patógenos e repartição de benefícios. Este ponto crucial define como os patógenos com potencial pandêmico serão compartilhados entre os países e, consequentemente, como os benefícios gerados – como vacinas, testes diagnósticos e tratamentos – serão distribuídos de forma justa. As nações em desenvolvimento argumentam que o acesso a esses recursos deve ser garantido e não monopolizado por países mais ricos.

A complexidade reside em decidir como esses benefícios serão definidos, qual sistema será implementado para administrá-los e, fundamentalmente, como a equidade será assegurada. A experiência da Covid-19 revelou profundas disparidades no acesso a vacinas e medicamentos, com países mais pobres ficando para trás na corrida por suprimentos essenciais, o que prolongou a pandemia e aumentou o número de mortes.

Lições da Covid-19 e o custo da inação

A memória da pandemia de Covid-19 serve como um lembrete sombrio dos perigos de uma resposta global descoordenada. A OMS estima que a doença causou até 20 milhões de mortes em todo o mundo. Além do custo humano incalculável, o Fundo Monetário Internacional (FMI) calculou que a pandemia gerou perdas econômicas superiores a 13 trilhões de dólares (R$ 66,62 trilhões), enquanto os investimentos em detecção precoce de surtos foram “insignificantes”.

“A humanidade prometeu a si mesma, em meio à dureza daquela dor, que nunca mais enfrentaria um dia assim sem estar preparada”, destacaram Tedros e Lula. Essa promessa, contudo, corre o risco de ser esquecida se o tratado não for concluído, deixando o mundo vulnerável a futuras crises sanitárias que, segundo cientistas, são quase uma certeza.

Estratégia global e a inevitabilidade de novas ameaças

A ciência aponta para uma probabilidade alarmante: existe quase uma chance em quatro de ocorrer outra pandemia na próxima década. Diante desse cenário, a conclusão do tratado não é apenas um ato de caridade, mas uma estratégia de segurança global. Países que compartilham patógenos emergentes perigosos precisam ter a confiança de que os tratamentos e vacinas resultantes chegarão também à sua própria população.

A lógica é clara: “Um vírus que é deixado para se espalhar em qualquer lugar acabará, com o tempo, afetando todo o mundo”. A interconectividade global significa que a saúde de uma nação está intrinsecamente ligada à saúde de todas as outras. A cooperação e a equidade são, portanto, não apenas imperativos morais, mas também pragmáticos para a proteção de todos.

Próximos passos e a responsabilidade dos negociadores

Os negociadores dos Estados-membros da OMS têm uma nova rodada de conversas agendada entre 6 e 17 de julho. Este encontro será crucial para tentar superar os impasses e definir o anexo pendente do acordo. Tedros e Lula fizeram um apelo direto aos líderes do G7 para que “deem instruções aos seus negociadores para que compareçam à sessão de julho preparados para concluir um acordo”.

O sucesso dessas negociações depende diretamente do apoio e da vontade política demonstrada pelos líderes mundiais. Sem um consenso sobre o mecanismo de acesso a patógenos e repartição de benefícios, o tratado não poderá entrar em vigor, deixando uma lacuna perigosa na arquitetura de segurança sanitária global. A expectativa é que o G7 reconheça a gravidade da situação e atue para garantir que a humanidade esteja, de fato, mais preparada para os desafios futuros.

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