Mais de 30 anos após a desativação de seu antigo teleférico, a cidade de Matinhos, no litoral paranaense, dá passos concretos para reativar um de seus mais emblemáticos pontos turísticos. A prefeitura local, em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), avança nas negociações e estudos para a implantação de um novo equipamento no Morro do Escalvado, prometendo revitalizar a experiência turística e a segurança na região.
O projeto, que já havia sido noticiado em setembro de 2025, entra agora em uma fase crucial de estudos técnicos e ambientais. A iniciativa não apenas visa resgatar uma atração que marcou gerações, mas também busca modernizar a infraestrutura turística da cidade, integrando-a de forma sustentável ao Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, onde o morro está inserido.
O retorno de um símbolo turístico em Matinhos
O Morro do Escalvado, com seus cerca de 224 metros de altitude, é um dos principais atrativos naturais de Matinhos. Localizado a apenas 500 metros do centro do município, o local já abrigou um teleférico que atraía visitantes nos anos 1990. Contudo, a estrutura foi desativada após uma trágica ocorrência que resultou na morte de três pessoas, deixando uma lacuna na oferta turística da cidade por mais de três décadas.
Atualmente, o acesso ao topo do morro é feito por uma trilha de aproximadamente 800 metros, classificada como de dificuldade fácil a moderada, com um percurso que varia entre 15 e 30 minutos. Ao longo do trajeto, ainda é possível encontrar vestígios da antiga estrutura, que servem como lembrança do potencial que o local possui para o turismo de contemplação e aventura.
Articulação e desafios ambientais
A viabilidade do novo teleférico está intrinsecamente ligada à sua localização em uma área de preservação da Mata Atlântica, sob jurisdição federal, dentro do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange. Por essa razão, a proposta está sendo construída em estreita colaboração com os órgãos ambientais, em especial o ICMBio, responsável pela gestão do parque.
Segundo Kássia Novochadlo, secretária de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Cultura de Matinhos, a publicação do plano de manejo do parque, em abril de 2024, foi um marco fundamental que tornou o projeto viável. As conversas iniciais focam na convergência de interesses entre os órgãos, e ainda é prematuro definir responsabilidades e o modelo de concessão. A prefeitura de Matinhos atua como articuladora, adiantando os estudos técnicos para acelerar o processo, visto que o teleférico não é uma prioridade orçamentária imediata do ICMBio, que concentra esforços em outras unidades como o Parque Nacional do Ariri.
Viabilização e parcerias estratégicas
Para dar andamento ao projeto, a prefeitura de Matinhos negocia possíveis desapropriações de imóveis localizados na base do morro, uma etapa essencial para garantir a segurança jurídica da obra. As tratativas para a regularização fundiária da área, que envolvem o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o ICMBio, foram intermediadas pelo deputado estadual Goura (PDT) e estão avançadas, restando apenas uma propriedade privada que pertenceria ao antigo dono do teleférico.
Os estudos técnicos deverão ser conduzidos pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), por meio de sua fundação (Funpar), com a qual já existe um contrato. Além disso, está prevista uma reunião com a Unipraias, empresa que opera o teleférico em Balneário Camboriú (SC), buscando referências e expertise para o projeto. O processo licitatório e a gestão do futuro teleférico deverão ficar a cargo do ICMBio, que tem a prerrogativa de terceirizar a operação, um modelo similar ao adotado no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Segurança e impacto para o resgate
Além do potencial turístico, a reativação do teleférico no Morro do Escalvado traria benefícios significativos para a segurança e as operações de resgate na região. A 2ª tenente Luana Mara Pessanha, do 8º Batalhão de Bombeiro Militar do Paraná, destaca que o relevo acidentado e a presença de pedras escorregadias na trilha aumentam os riscos de acidentes, como entorses e escorregões, especialmente em condições climáticas adversas.
O maior desafio para as equipes de resgate é a retirada de vítimas em macas, devido ao terreno íngreme e de difícil acesso. A tenente Pessanha explica que, para cada minuto de descida em uma caminhada normal, a equipe leva cerca de sete minutos ao transportar uma vítima na maca. O sistema de teleférico, nesse cenário, facilitaria o deslocamento das equipes e o transporte de equipamentos de salvamento e resgate, reduzindo drasticamente o tempo de resposta em ocorrências e aumentando a segurança dos visitantes e dos próprios socorristas.
A retomada do projeto do teleférico em Matinhos representa um esforço conjunto para reavivar um importante atrativo turístico, impulsionar a economia local e, simultaneamente, aprimorar a segurança na região. O Diário Global continuará acompanhando de perto os desdobramentos dessa iniciativa que promete transformar o cenário do litoral paranaense, trazendo informações relevantes e contextualizadas para você, nosso leitor.
