Um alerta contundente foi emitido por Jason Miller, figura próxima ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, direcionado ao empresário Joesley Batista, um dos proprietários da JBS. A advertência, feita por Miller em uma publicação na plataforma X, veio à tona após a divulgação de uma notícia que detalhava um telefonema entre o presidente Lula e Trump, que teria sido intermediado pelo celular de Batista para destravar uma visita oficial aos EUA.
Miller não poupou palavras ao compartilhar a matéria, afirmando que Joesley Batista estaria envolvido em um “jogo perigoso”. A declaração do aliado de Trump adiciona uma camada de tensão a um cenário já complexo, envolvendo política internacional, grandes negócios e investigações antitruste nos Estados Unidos.
O polêmico telefonema entre Lula e Trump
A notícia que desencadeou a reação de Jason Miller, revelada pela emissora CNN Brasil, detalha um episódio diplomático inusitado. Segundo a reportagem, o presidente Lula e Donald Trump teriam conversado em 30 de abril por meio do celular de Joesley Batista. O contato teria ocorrido durante uma visita do empresário ao Palácio da Alvorada, sem a presença de figuras-chave como o chanceler Mauro Vieira ou assessores da área internacional da Presidência da República.
Ainda de acordo com a apuração, Lula teria expressado a Batista sua dificuldade em agendar uma reunião com Trump. Foi nesse momento que o dono da JBS teria se oferecido para ligar diretamente para o republicano. Trump, por sua vez, teria atendido a chamada no terceiro toque. Essa conversa, aparentemente informal, foi crucial para destravar a organização da visita de Lula a Washington, que se concretizou na semana seguinte. Questionado por jornalistas em Nova York sobre o episódio, Joesley Batista optou por não fazer comentários.
A reação de Jason Miller e as implicações
A postagem de Jason Miller na plataforma X não deixou dúvidas sobre sua visão a respeito da ação de Joesley Batista. “Joesley está jogando um jogo perigoso pra c… O pêndulo sempre volta… e o pêndulo nunca esquece”, escreveu Miller. A frase, carregada de um tom de ameaça, sugere que as ações do empresário terão consequências futuras, especialmente considerando a influência de Miller no círculo de Donald Trump.
A intervenção de um empresário em negociações diplomáticas de alto nível, especialmente sem o conhecimento ou a participação dos canais oficiais, é um fato que levanta questionamentos sobre os limites entre o setor privado e a política externa. A crítica de Miller pode ser interpretada como um aviso de que tais manobras não passarão despercebidas, especialmente se Trump retornar à Casa Branca.
JBS sob escrutínio nos EUA e laços com Trump
O alerta de Miller ganha um peso ainda maior ao considerar o momento delicado que a JBS enfrenta nos Estados Unidos. A empresa está entre as grandes processadoras de carne que atuam em solo americano e que são alvo de uma investigação pela divisão antitruste do Departamento de Justiça. Essa apuração foi iniciada após acusações de Donald Trump de que frigoríficos estariam combinando ações para manipular e elevar artificialmente os preços da carne bovina no país, em um caso conhecido como “cartel da carne”.
Curiosamente, a JBS, por meio de sua subsidiária nos Estados Unidos, a Pilgrim’s Pride, foi a maior doadora empresarial para a cerimônia de posse de Trump em 2025, conforme noticiado pela imprensa americana. Essa dualidade – ser alvo de investigação iniciada por Trump e, ao mesmo tempo, um grande doador de sua campanha – complexifica ainda mais a relação da empresa com o cenário político americano e a percepção de suas ações.
O encontro Lula-Trump: resultados e bastidores
Apesar da polêmica em torno do telefonema prévio, a reunião entre Lula e Trump em Washington ocorreu e durou cerca de três horas. O próprio Donald Trump classificou o encontro como “muito boa” em uma publicação feita minutos após o término, em sua rede social Truth Social. Segundo ele, os dois líderes discutiram temas importantes como comércio e tarifas.
No entanto, o encontro terminou sem o anúncio de acordos concretos, o que pode indicar que, apesar da cordialidade e da importância do diálogo, as divergências em pontos-chave persistem. A intervenção de Joesley Batista, nesse contexto, pode ter sido um facilitador para o contato, mas as questões estruturais das relações bilaterais e os interesses econômicos de grandes corporações continuam a moldar a dinâmica entre os países.
Para aprofundar-se nas nuances da política internacional e entender como esses bastidores influenciam o cenário global, continue acompanhando o Diário Global. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo uma leitura aprofundada dos fatos que moldam o mundo.
