Expectativa de vida global se aproxima de patamares pré-pandemia, revela OMS

Expectativa de vida global se aproxima de patamares pré-pandemia, revela OMS

Saúde

A expectativa de vida global está à beira de retornar aos níveis observados antes do impacto devastador da pandemia de Covid-19, conforme um relatório anual divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Publicado nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, o documento aponta uma recuperação notável na longevidade média mundial, embora com desafios persistentes na qualidade de vida e na saúde geral das populações.

Em 2023, a expectativa de vida média atingiu 73,3 anos, um número que se aproxima muito dos 73,4 anos registrados em 2019, período anterior à eclosão da crise sanitária global. A pandemia havia provocado uma queda significativa, reduzindo a expectativa de vida para 71,5 anos em 2021, o ponto mais baixo da última década. Essa recuperação, embora encorajadora, vem acompanhada de uma ressalva importante: a expectativa de vida saudável, ou seja, os anos vividos com boa saúde, tem se recuperado em um ritmo mais lento.

A Recuperação da Longevidade e os Desafios da Saúde Saudável

Alain Labrique, chefe do departamento de dados da OMS, destacou que a capacidade de viver mais é uma das maiores conquistas da saúde pública. No entanto, ele ressaltou a urgência de garantir que esses anos adicionais sejam vividos com qualidade e bem-estar. A expectativa de vida saudável, que estava em 62,8 anos em 2023, ainda permanece 0,4 ano abaixo do patamar de 2019, indicando que, apesar de viverem mais, as pessoas podem estar enfrentando mais anos com doenças ou limitações.

Essa diferença na recuperação é um sinal de alerta para os sistemas de saúde em todo o mundo. A OMS aponta que, desde a pandemia, houve um aumento acentuado nas mortes por demência, que triplicaram, e nos transtornos psíquicos, como ansiedade e depressão, que ganharam peso significativo. Esses dados sublinham a necessidade de os sistemas de saúde se adaptarem para atender às novas e complexas demandas de uma população que envelhece e enfrenta desafios de saúde mental.

Disparidades Regionais e o Cenário Pós-Pandemia

O relatório da OMS também revela disparidades regionais marcantes na recuperação da saúde global. Entre 2000 e 2023, a região das Américas, por exemplo, registrou os maiores aumentos no risco de mortalidade e na perda de anos de vida saudável. Em contraste, a região do Pacífico Ocidental apresentou quedas expressivas nesses mesmos indicadores, demonstrando a influência de fatores socioeconômicos, acesso à saúde e políticas públicas na longevidade e bem-estar das populações.

A crise sanitária global expôs e exacerbou vulnerabilidades existentes, impactando de forma desigual diferentes partes do mundo. A análise regional da OMS oferece um panorama crucial para que governos e organizações internacionais possam direcionar recursos e estratégias de saúde de maneira mais eficaz, buscando reduzir as iniquidades e promover uma recuperação mais equitativa da expectativa de vida e da saúde.

As Principais Causas de Mortalidade Global

Das 61 milhões de mortes registradas globalmente em 2023, as dez principais causas foram responsáveis por 33 milhões. Um dado alarmante é o domínio das doenças não transmissíveis (DNTs), que atualmente respondem por 74% das mortes globais, um aumento considerável em relação aos 58% registrados em 2000, quando o estudo Global Health Estimates (GHE) teve início. Este cenário evidencia uma transição epidemiológica em curso, onde doenças crônicas se tornam o principal desafio de saúde pública.

A doença isquêmica do coração permanece como a maior causa de mortes no mundo, sendo responsável por 16% dos óbitos. Seu impacto cresceu exponencialmente, passando de 3 milhões de mortes em 2000 para 9,5 milhões em 2023. O acidente vascular cerebral (AVC) e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ocupam, respectivamente, a segunda e terceira posições, respondendo por cerca de 11% e 6% do total de óbitos. As infecções das vias respiratórias inferiores, embora uma doença transmissível, figuram em quarto lugar como a mais letal do mundo. A doença de Alzheimer e outras formas de demência, que causam a morte de 2,1 milhões de pessoas, completam o top 5. Para mais detalhes sobre as estatísticas de saúde global, consulte o site da OMS.

O Impacto da Covid-19 e Outras Doenças Infecciosas

Pela primeira vez desde o início da pandemia, a Covid-19 saiu da lista das dez principais causas de morte em 2023. A doença, que foi diretamente responsável por cerca de 5,3 milhões de mortes em 2020 (terceiro lugar) e por 9,4 milhões em 2021 (primeiro lugar), teve seu número de óbitos diretamente atribuíveis reduzido para 900 mil em 2023, posicionando-a como a 14ª principal causa de morte. Essa mudança reflete o avanço da vacinação, o desenvolvimento de tratamentos e a adaptação dos sistemas de saúde.

Outro avanço significativo foi observado na luta contra o HIV e a Aids. As mortes por essas doenças caíram 62% desde 2020, fazendo com que o HIV/Aids passasse da sétima principal causa de morte no mundo em 2000 para o 22º lugar em 2023. Esses dados demonstram a eficácia de décadas de esforços em prevenção, tratamento e conscientização, mostrando que, com investimento e políticas adequadas, é possível reverter o curso de doenças infecciosas de grande impacto.

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