Papa Leão 14 inicia maior viagem à América do Sul com foco em Amazônia e presídios

Papa Leão 14 inicia maior viagem à América do Sul com foco em Amazônia e presídios

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O Papa Leão 14 se prepara para a mais extensa viagem de seu pontificado até o momento, com um tour pela América do Sul programado entre 6 e 17 de novembro. A agenda divulgada pelo Vaticano nesta segunda-feira (21) revela um itinerário denso e simbolicamente carregado, que inclui encontros com líderes políticos, comunidades periféricas, povos amazônicos e detentos, sinalizando uma abordagem pastoral focada em temas sociais e ambientais.

A visita papal abrangerá Uruguai, Argentina e Peru, países com realidades sociais e religiosas distintas, mas que compartilham desafios comuns na América Latina. A escolha dos destinos e dos pontos de parada reflete a preocupação do pontífice com as periferias existenciais e geográficas, bem como com a defesa da dignidade humana e do meio ambiente.

Uruguai: Diálogo com a secularidade e as comunidades

A primeira etapa da viagem de Papa Leão 14 será o Uruguai, um país notável por ter o maior percentual de pessoas que se declaram ateias, agnósticas ou sem religião na América Latina, atingindo 48,7% da população, conforme pesquisa do Latinobarómetro de 2023. Este cenário confere um tom particular à visita, que busca o diálogo e a presença da Igreja em uma sociedade marcadamente secularizada.

Após a chegada e os encontros protocolares com autoridades em Montevidéu, incluindo o presidente Yamandú Orsi, o pontífice seguirá para Paysandú, a 360 km da capital, onde celebrará a primeira missa da viagem no parque Paris Londres. No mesmo dia, retornará a Montevidéu para um encontro significativo com a comunidade do bairro periférico de Casavalle, na Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, um gesto que sublinha a prioridade da Igreja em estar próxima dos mais vulneráveis e marginalizados.

Argentina: Legado de Francisco e foco social

A Argentina, terra natal do antecessor de Leão 14, Francisco — falecido em abril do ano passado —, receberá o pontífice em 8 de novembro. A agenda no país vizinho é igualmente intensa, começando com um encontro de alto nível com o presidente Javier Milei na Casa Rosada. Este momento diplomático será seguido por uma imersão em projetos sociais.

No dia seguinte, o papa visitará um projeto social em Claypole, na região metropolitana de Buenos Aires, reforçando a mensagem de solidariedade e apoio às iniciativas de base. Estão previstas missas na capital, ainda no dia 9, e em Córdoba, no dia 10. Um dos pontos mais aguardados é a tradicional visita a detentos, que ocorrerá em 11 de novembro no Complexo Penitenciário Federal de Buenos Aires, um ato de compaixão e atenção às condições dos privados de liberdade, ecoando a preocupação de papas anteriores com a pastoral carcerária.

Peru: O retorno do cidadão e a voz da Amazônia

No mesmo dia 11 de novembro, à tarde, Papa Leão 14 embarcará para o Peru, em um que o Vaticano classificou como seu “retorno ao Peru”. Embora seja o primeiro papa na história da Igreja Católica nascido nos Estados Unidos, Robert Prevost (seu nome de batismo) possui uma profunda conexão com a nação andina, onde viveu por cerca de 20 anos e da qual é cidadão. Ele também serviu como bispo de Chiclayo entre 2015 e 2023.

Após o desembarque em Lima, o pontífice se reunirá com a presidente Keiko Fujimori. No dia seguinte, participará de um encontro crucial para discutir “os desafios e as esperanças para o futuro do povo peruano”, também na capital. A programação inclui uma visita à cidade de Chiclayo, sua antiga diocese, e um encontro com representantes dos povos amazônicos, um momento de grande relevância para a defesa da ecologia integral e dos direitos dos povos originários, temas caros ao pontificado atual. Este encontro sublinha a importância da região amazônica para a Igreja e para o mundo, em um contexto de crescentes desafios ambientais e sociais.

A viagem do Papa Leão 14 à América do Sul se configura como um marco em seu pontificado, não apenas pela extensão geográfica, mas pela profundidade dos temas que abordará. Ao visitar comunidades periféricas, presídios e povos amazônicos, o líder católico reforça o compromisso da Igreja com a justiça social, a dignidade humana e a proteção da criação, buscando inspirar esperança e promover o diálogo em um continente de grande diversidade e complexidade.

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