Psicóloga brasileira oferece suporte crucial a combatentes na Guerra da Ucrânia

Psicóloga brasileira oferece suporte crucial a combatentes na Guerra da Ucrânia

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De Curitiba, no Paraná, uma psicóloga tem se dedicado a uma missão humanitária de extrema relevância: oferecer suporte psicológico a brasileiros que se encontram no front da Guerra da Ucrânia. As sessões, realizadas online, revelam o impacto devastador do conflito, com relatos de violência e trauma que desafiam a capacidade de compreensão e resiliência humana.

A iniciativa, que começou no ano passado, surgiu a partir de um pedido de uma ONG que presta auxílio a brasileiros na Ucrânia. A profissional, Cláudia Serathiuk, de 54 anos, é neta de ucranianos e possui forte ligação com a comunidade local, o que a impulsionou a estender a mão a esses combatentes em um momento de profunda vulnerabilidade. Os atendimentos expõem uma realidade brutal, onde o medo da morte e o estresse pós-traumático são constantes.

A realidade dos relatos e o impacto na saúde mental

Cláudia Serathiuk descreve os combatentes como pessoas que estão “desabando”, sobrecarregadas pelo horror diário. Os relatos que chegam até ela são de uma crueza inimaginável, detalhando situações de extrema violência e a devastação dos corpos. “São coisas tão terríveis que eu nem tenho coragem de repetir. É nauseante”, afirma a psicanalista, sublinhando a intensidade do sofrimento presenciado por esses indivíduos.

A dificuldade em processar tais experiências é um dos maiores desafios. A psicóloga menciona a falta de espaço em cemitérios e crematórios, com “caminhões de corpos” como uma imagem recorrente, que ilustra a escala da tragédia humana. Esse cenário contribui para um quadro de estresse pós-traumático severo, exigindo uma abordagem terapêutica especializada e sensível.

Perfil dos combatentes e a busca por ajuda

Embora não existam dados oficiais precisos, a comunidade ucraniana no Brasil estima que cerca de 2.000 brasileiros já tenham partido para lutar no Exército ucraniano, com aproximadamente 200 mortes registradas. O Itamaraty, até 10 de julho, contabilizava 86 desaparecidos e 33 mortos. Um dado surpreendente, segundo Cláudia, é que a maioria desses combatentes não possui ascendência ou qualquer ligação prévia com a comunidade ucraniana, levantando questões sobre as motivações que os levam a se arriscar em um conflito tão distante de suas origens.

Até o momento, a psicóloga já atendeu dez brasileiros que estiveram na guerra ou retornaram dela. Contudo, o acompanhamento é intermitente; alguns desapareceram, e ela não sabe se a interrupção se deu por desistência da psicoterapia ou por fatalidades no campo de batalha. Um dos grandes obstáculos é o estigma associado à busca por ajuda psicológica em um ambiente de guerra, onde isso pode ser interpretado como um sinal de fraqueza.

Expansão do apoio e pesquisa acadêmica

Reconhecendo a amplitude da necessidade, Cláudia Serathiuk expandiu sua rede de apoio. Ela formou um grupo de cinco psicólogos voluntários, sem ascendência ucraniana, para atender os familiares de brasileiros que perderam a vida na guerra. Essa iniciativa visa oferecer um espaço de acolhimento e elaboração do luto para aqueles que ficam, enfrentando a dor da perda em um contexto de conflito internacional.

A experiência prática de Cláudia também alimenta sua pesquisa acadêmica. Mestre em psicologia clínica pela Universidade Federal do Paraná, ela é pesquisadora do Núcleo de Estudos da Ucrânia da USP e integrante da Rede Interamericana de Pesquisas em Psicanálise e Política (RedIPPol). Seu trabalho com os combatentes e suas famílias servirá de base para um doutorado que investigará as complexas motivações que levam jovens brasileiros a se engajarem em uma guerra que não é diretamente sua. Para mais informações sobre o impacto psicológico de conflitos, você pode consultar estudos e artigos na American Psychological Association.

A atuação de Cláudia Serathiuk destaca a face humana e muitas vezes esquecida dos conflitos armados, onde o suporte psicológico se torna tão vital quanto o auxílio médico. Seu trabalho é um lembrete da importância de olhar para além das manchetes e compreender o profundo impacto que a guerra tem sobre a vida das pessoas, tanto no front quanto para suas famílias no Brasil. O Diário Global continuará acompanhando de perto os desdobramentos deste e de outros temas relevantes, oferecendo informação aprofundada e contextualizada para nossos leitores.

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