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Piso de R$ 13.662 para médicos e dentistas avança no Senado e segue à Câmara

Politica

Avanço na valorização profissional da saúde

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado deu um passo significativo para a reestruturação da remuneração de profissionais da saúde no Brasil. Na noite desta quarta-feira (10), o colegiado aprovou o projeto de lei (PL) nº 1.365/2022, que propõe uma mudança drástica no piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas. O texto eleva o valor base de R$ 3.636 para R$ 13.662, considerando uma jornada de 20 horas semanais.

A proposta, de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PSD/PB), não se limita apenas à correção salarial. O projeto estabelece novas diretrizes para as condições de trabalho, incluindo o aumento do adicional por trabalho noturno e horas extras, que passam de 20% para 50%. Além disso, o texto introduz pausas obrigatórias de dez minutos a cada 90 minutos de atividade e determina que cargos de chefia em serviços médicos e odontológicos sejam ocupados exclusivamente por profissionais habilitados nas respectivas áreas.

Impacto orçamentário e tramitação legislativa

A medida gera debates sobre a sustentabilidade das contas públicas. De acordo com estimativas do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, a implementação do novo piso na rede pública federal deve gerar um impacto financeiro de aproximadamente R$ 7,7 bilhões em 2027. O projeto agora segue para a Câmara dos Deputados, a menos que haja um recurso para votação direta no plenário do Senado.

Caso seja sancionada, a lei terá abrangência tanto no setor público quanto no privado. Para as empresas privadas, o texto prevê reajustes anuais baseados no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Já para estados, municípios e o Distrito Federal, a legislação permite a adoção de indicadores específicos, respeitando as autonomias locais e as realidades orçamentárias de cada ente federativo.

Justificativa e apoio das entidades de classe

O relator da matéria, senador Fernando Dueire (PSD-PE), defendeu a aprovação como uma forma de “reparação histórica”. Em seu parecer, o parlamentar destacou que a valorização financeira é um pilar essencial para o sucesso de políticas públicas de interiorização, essenciais para levar atendimento especializado a regiões remotas do país. A senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) reforçou o coro, classificando o patamar salarial atual como defasado e insuficiente para a complexidade da profissão.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio de seu presidente José Hiran Gallo, celebrou a decisão. Em nota oficial, o órgão destacou que a medida corrige uma distorção que mantinha o piso atrelado a três salários mínimos de 2022. Para o CFM, o reconhecimento do Senado é um marco de valorização que impacta diretamente a qualidade do sistema de saúde e a dignidade dos profissionais que atuam na linha de frente.

Contexto de decisões no Senado

A aprovação do piso salarial ocorreu em um dia de intensa movimentação na Casa, que também deliberou sobre outras pautas de impacto orçamentário. Entre as decisões, destacam-se o uso do Fundo Social do Pré-Sal para o auxílio a produtores rurais afetados por crises climáticas e a concessão de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos dessas votações e o impacto dessas mudanças na vida dos brasileiros. Continue conosco para se manter informado sobre as decisões que moldam o futuro do país.

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