Entenda por que a profundidade tectônica mudou o impacto dos terremotos na Colômbia e Venezuela

Entenda por que a profundidade tectônica mudou o impacto dos terremotos na Colômbia e Venezuela

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O recente terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste da Colômbia nesta segunda-feira (10) trouxe à tona, mais uma vez, a complexa realidade geológica da América do Sul. Com epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, o sismo deixou um rastro de destruição que contabiliza, até o momento, ao menos 224 mortos. O evento, embora compartilhe uma magnitude similar aos tremores registrados na Venezuela em junho, apresenta características tectônicas distintas que explicam a variação nos danos causados à superfície.

A física por trás do desastre: profundidade e energia

A principal diferença entre os eventos reside na profundidade do foco sísmico. Enquanto os sismos venezuelanos foram classificados como superficiais, ocorrendo a cerca de 10 quilômetros de profundidade, o terremoto colombiano teve seu foco a 103 quilômetros abaixo da crosta. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), essa distância é o fator determinante para a forma como a energia é dissipada.

Em eventos superficiais, as ondas sísmicas percorrem uma trajetória curta até a superfície, mantendo uma intensidade destrutiva muito maior nas áreas próximas ao epicentro. No caso da Colômbia, a profundidade intermediária fez com que as ondas atravessassem uma camada espessa de material geológico, perdendo parte de sua energia antes de atingir as habitações, o que, paradoxalmente, permitiu que o tremor fosse sentido em uma área geográfica muito mais extensa.

Diferenças na dinâmica das placas tectônicas

A origem dos sismos também revela mecanismos geológicos distintos. Na Venezuela, o desastre foi provocado pelo deslizamento lateral de falhas rasas, onde blocos rochosos se deslocam horizontalmente. Esse movimento está associado à interação entre a placa do Caribe e a placa Sul-Americana, resultando em uma tragédia que vitimou mais de 6.000 pessoas devido à proximidade da ruptura com a superfície.

Já na Colômbia, o cenário envolve a placa de Nazca, que mergulha sob a placa Sul-Americana em um processo chamado subducção. No entanto, o terremoto de segunda-feira não ocorreu na interface entre essas placas, mas sim por uma ruptura no interior da própria placa de Nazca. Esse tipo de evento, comum em zonas de subducção, reflete as deformações internas causadas pelas forças de flexão que atuam sobre a placa enquanto ela afunda no manto terrestre.

Vulnerabilidade e infraestrutura no cenário sísmico

Embora a geologia dite a força do tremor, a sismóloga Viviana Dionisio, da Rede Sismológica Nacional da Colômbia, reforça que a magnitude não é o único fator de risco. A resistência das edificações, a qualidade do solo e a duração do evento são variáveis críticas que definem o nível final de destruição. A região de Chocó, por exemplo, possui uma alta ameaça sísmica natural, exigindo normas de construção que nem sempre conseguem mitigar os efeitos de abalos dessa magnitude.

Após o evento principal, o Serviço Geológico Colombiano monitora 33 réplicas, sendo a mais expressiva de magnitude 4,8. A expectativa técnica é que a frequência e a intensidade desses tremores secundários diminuam gradualmente nas próximas semanas, conforme a crosta terrestre busca um novo estado de equilíbrio após a ruptura inicial.

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