Investigações da Polícia Federal, cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça no dia 1º de setembro de 2026, trouxeram a público um conjunto de diálogos que expõe uma relação de alta proximidade entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e figuras centrais do poder em Brasília. O material, que integra o inquérito em curso, detalha trocas de mensagens que sugerem laços de gratidão e interesses que extrapolam as esferas estritamente corporativas.
Interações e gratidão entre o setor bancário e o STF
Nos registros datados de novembro de 2025, Vorcaro expressa o que descreve como uma “gratidão da vida” em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-banqueiro chega a mencionar que sua família teria uma “dívida de vida” com o magistrado. A documentação aponta que Vorcaro monitorava pessoalmente pagamentos destinados ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, tratando o contrato de R$ 129 milhões como uma prioridade absoluta, com ordens expressas para que não houvesse atrasos nos repasses.
As mensagens também indicam uma tentativa de Vorcaro em obter informações privilegiadas ou proteção contra possíveis operações policiais. Antes de sua prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025, o empresário questionou Moraes sobre a necessidade de deixar o país e solicitou auxílio para evitar medidas que pudessem comprometer a estabilidade do Banco Master. Em um dos episódios, ele chegou a sugerir que o ministro intercedesse junto ao diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para postergar ações policiais em razão de um feriado.
Relações com a Procuradoria-Geral da República
O conteúdo revelado pela Polícia Federal também abrange interações atribuídas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. As mensagens, muitas vezes intermediadas por advogados, revelam um tom amigável e descontraído. Em um dos registros, Gonet menciona saudades do ex-banqueiro antes de uma viagem internacional. Outros diálogos mostram o procurador-geral comentando sobre eventos sociais de luxo e elogiando a produtividade de Vorcaro, a quem chegou a chamar de “máquina” em tom de brincadeira.
Cobranças e benefícios financeiros
O ex-ministro Fábio Faria aparece nos documentos como um intermediário em cobranças financeiras. Em conversas de março de 2024, Faria utiliza um apelido para se referir a Moraes, insistindo para que Vorcaro mantivesse os pagamentos ao escritório de advocacia em dia. Além disso, as investigações apontam que o ex-banqueiro teria autorizado a emissão de cartões de crédito com limites de R$ 300 mil destinados aos filhos de Alexandre de Moraes. Em nota, o escritório Barci de Moraes negou que tais cartões tenham sido utilizados por qualquer integrante da banca.
O caso, que segue sob análise das autoridades, levanta debates sobre os limites éticos nas relações entre o setor privado e o Poder Judiciário. O Diário Global continua acompanhando os desdobramentos desta investigação e os próximos passos do inquérito no STF. Para manter-se informado sobre este e outros temas relevantes da política nacional, continue acompanhando nossa cobertura jornalística diária, comprometida com a apuração rigorosa e a transparência.
Para mais detalhes sobre o caso, acesse a reportagem completa da Gazeta do Povo.

