Gustavo Moreno/STF

Gilmar Mendes critica atuação de André Mendonça em delação do caso Banco Master

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Crítica pública à conduta de magistrado

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como um “erro crasso” a postura do ministro André Mendonça na condução de uma proposta de delação premiada envolvendo Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda-feira (22). Segundo Mendes, a participação de um magistrado em negociações de acordos de colaboração configura uma “impropriedade” jurídica.

O ponto central da divergência reside no papel do relator em processos penais. Conforme a legislação brasileira, a negociação de delações premiadas é uma atribuição exclusiva da Polícia Federal ou do Ministério Público. Ao STF, cabe estritamente a etapa de homologação do acordo, após a formalização entre as partes envolvidas. Para o decano, qualquer interferência do juiz nesse processo compromete a imparcialidade necessária ao exercício da magistratura.

O embate sobre a delação seletiva

A controvérsia ganhou corpo após André Mendonça revelar, durante sessão da Segunda Turma do STF no dia 16, ter recebido uma proposta de “delação seletiva” por parte de um advogado ligado ao banqueiro. Na ocasião, Mendonça afirmou ter recusado a oferta, classificando-a como um trabalho “abjeto”. O ministro, no entanto, não identificou o responsável pela abordagem, ressaltando apenas que a proposta não partiu de José Luís de Oliveira Lima, que à época coordenava a defesa de Vorcaro.

A reação de Gilmar Mendes foi imediata, sustentando que a situação reflete uma inversão de papéis no sistema judiciário. O decano argumentou que, ao ouvir tais propostas ou intervir na dinâmica entre advogados e investigados, o relator ultrapassa os limites de sua competência legal. Paralelamente, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram, na semana passada, uma segunda proposta de delação apresentada pelo empresário, sob o argumento de que não foram apresentados elementos novos que justificassem o benefício.

Paralelos com a Operação Lava Jato

Durante a entrevista, Gilmar Mendes aproveitou para traçar um paralelo entre o caso atual e os métodos utilizados durante a Operação Lava Jato. O ministro recordou sua atuação como voto vencido em diversos julgamentos daquela época, alertando para os riscos de “aventuras judiciais” e prisões preventivas alongadas. Para o magistrado, as revelações da Operação Spoofing, que expuseram diálogos entre procuradores e o ex-juiz Sergio Moro, confirmaram a necessidade de vigilância constante sobre os limites do Judiciário.

O caso do Banco Master segue em evidência, especialmente após o julgamento que manteve as prisões preventivas do pai e do primo de Daniel Vorcaro. Enquanto o debate jurídico se intensifica nos bastidores da Corte, o episódio reforça a importância do devido processo legal e a separação clara de funções entre quem investiga, quem acusa e quem julga. O Diário Global continua acompanhando os desdobramentos deste caso e outros temas relevantes da política nacional, mantendo você informado com rigor, profundidade e o compromisso de levar a notícia apurada diretamente ao leitor.

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