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Câncer de mama avançado resistente a hormônios ganha Inluriyo, oral aprovado pela Anvisa

Saúde

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo significativo no tratamento do câncer de mama no Brasil, ao aprovar nesta segunda-feira (22) o registro do inluriyo (tosilato de inlunestranto). Este novo medicamento oral representa uma esperança renovada para adultos que enfrentam o câncer de mama localmente avançado ou metastático, especialmente aqueles que não obtiveram sucesso com as terapias endócrinas convencionais.

Desenvolvido pela Eli Lilly do Brasil, o fármaco chega como uma opção de monoterapia, ou seja, sem a necessidade de combinação com outros medicamentos, simplificando o regime de tratamento e potencialmente melhorando a qualidade de vida dos pacientes com a doença em estágio avançado.

Um avanço crucial no combate ao câncer de mama metastático

A aprovação do inluriyo pela Anvisa é um marco importante para a oncologia brasileira. O medicamento é especificamente indicado para pacientes cujo câncer de mama é resistente a hormonioterapias, sendo positivo para receptor de estrogênio (ER+), negativo para receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2-) e, crucialmente, apresentando uma mutação no receptor de estrogênio 1 (ESR1m).

Essa especificidade é vital, pois a mutação no gene ESR1 surge frequentemente como um mecanismo de resistência durante o tratamento hormonal, tornando-se mais prevalente à medida que a doença progride. Para pacientes com câncer de mama metastático que já passaram por pelo menos uma linha de tratamento hormonal, essas alterações genéticas podem estar presentes em até metade dos casos de resistência, conforme apontado pela Eli Lilly do Brasil.

O mecanismo de ação contra tumores resistentes

O inluriyo atua de forma direcionada, combatendo os tumores que desenvolveram a mutação ESR1m, um dos principais desafios no tratamento do câncer de mama avançado. A resistência à hormonioterapia é um obstáculo significativo, pois muitas terapias padrão perdem eficácia quando o tumor adquire essa capacidade de contornar o tratamento.

Ao focar nessa mutação específica, o novo medicamento oferece uma abordagem terapêutica mais precisa, buscando inibir o crescimento das células cancerígenas que se tornaram resistentes. A possibilidade de um tratamento oral para esses casos representa não apenas um avanço clínico, mas também um ganho em conveniência e adesão para os pacientes, que podem gerenciar sua medicação de forma mais autônoma.

Resultados promissores do estudo clínico Ember-3

A eficácia do inluriyo foi comprovada através do estudo clínico Ember-3, cujos resultados foram determinantes para a aprovação da Anvisa. A pesquisa demonstrou que a monoterapia com inluriyo foi capaz de reduzir o risco de progressão da doença ou morte em 38%, quando comparada à terapia padrão.

Para o subgrupo de pacientes com câncer de mama metastático e a mutação ESR1, o estudo revelou uma melhoria notável na sobrevida livre de progressão. A mediana de sobrevida para esses pacientes foi de 5,5 meses com o inluriyo, um aumento significativo em relação aos 3,8 meses observados com as terapias padrão. Esses dados reforçam o potencial do medicamento em prolongar e melhorar a qualidade de vida de pacientes com opções limitadas.

O cenário do câncer de mama no Brasil e a nova esperança

O câncer de mama continua sendo uma das maiores preocupações de saúde pública no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença é o tumor maligno mais frequente entre as mulheres brasileiras. Estima-se que, entre 2023 e 2025, o país registre 73.610 novos casos, o que corresponde a 30,1% de todos os cânceres diagnosticados em mulheres. Acesse mais informações sobre o câncer de mama no site do Inca.

Diante desse cenário, a chegada de uma nova opção terapêutica, especialmente uma que ataca mecanismos de resistência específicos, é de extrema importância. O inluriyo oferece uma nova linha de tratamento para um grupo de pacientes que, até então, enfrentava prognósticos mais desafiadores, reforçando a esperança na luta contínua contra o câncer de mama no país.

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