O governo brasileiro apresentou, nesta terça-feira (19), uma proposta formal à Organização Mundial da Saúde (OMS) visando o endurecimento das regras para a comercialização e a publicidade de alimentos ultraprocessados em escala global. A iniciativa, levada à Assembleia Mundial da Saúde, na Suíça, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, busca estabelecer um marco regulatório internacional para conter o avanço do consumo desses produtos, especialmente entre o público infantojuvenil.
Estratégia contra o marketing agressivo
A proposta brasileira enfatiza a necessidade de respostas regulatórias urgentes diante de novas dinâmicas de mercado. O foco principal recai sobre práticas digitais que, segundo o Ministério da Saúde, têm facilitado o acesso de crianças e adolescentes a itens com baixo valor nutricional e alto teor de aditivos. Entre os pontos destacados pelo ministro Alexandre Padilha estão o marketing realizado por influenciadores digitais, o uso de jogos publicitários e a personalização de anúncios baseada em coleta de dados de usuários menores de idade.
O governo defende que o monitoramento e a comercialização desses produtos devem ser revistos para evitar a exposição excessiva a estratégias de venda transfronteiriças. A intenção é que a OMS atue como mediadora para que países adotem sistemas de classificação mais claros, permitindo que consumidores identifiquem com facilidade os riscos associados ao consumo recorrente de ultraprocessados.
Impacto na saúde pública e evidências científicas
A urgência da medida é sustentada por dados alarmantes sobre a saúde das novas gerações. Pesquisas recentes, incluindo o Atlas Mundial de Obesidade de 2026, projetam um cenário crítico: metade das crianças e adolescentes brasileiros poderá enfrentar quadros de sobrepeso ou obesidade até o ano de 2040. Esse cenário reflete uma mudança drástica nos padrões alimentares observada nas últimas décadas.
Estudos publicados na revista científica The Lancet apontam que o consumo diário de ultraprocessados cresceu 13% no Brasil e no México nos últimos 40 anos. Essa tendência, associada ao aumento de doenças crônicas, serve como base científica para a argumentação brasileira na Assembleia. O Ministério da Saúde pretende utilizar esse arcabouço técnico para promover um debate global sobre a transição para hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis.
Próximos passos na agenda internacional
A movimentação diplomática e sanitária do Brasil busca criar um consenso entre os países membros da OMS. A expectativa é que a proposta avance nas discussões técnicas ao longo dos próximos meses, culminando em uma votação oficial durante a próxima Assembleia Mundial da Saúde, prevista para o início de 2027. Caso aprovada, a medida pode obrigar nações a revisarem suas legislações internas sobre rótulos e publicidade infantil.
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