O avanço histórico nas doações de órgãos
O Brasil atingiu um marco significativo em 2025, consolidando o maior número de doadores efetivos de órgãos de sua história. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes, divulgado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o país contabilizou 4.335 doadores, atingindo a marca de 20,3 por milhão de população (pmp). Esse resultado reflete um esforço contínuo das equipes de saúde e uma maior conscientização sobre a importância da doação.
O volume de notificações de potenciais doadores também escalou, alcançando 15.940 registros. Entre os procedimentos, o rim manteve sua posição de destaque, com 6.697 cirurgias realizadas — um crescimento de 5,9% em comparação ao ano anterior. O transplante de fígado seguiu a mesma tendência positiva, totalizando 2.573 procedimentos, uma alta de 4,8%. Segundo a ABTO, o sucesso nestes números é atribuído, em grande parte, ao aumento das doações com doador morto e a uma otimização no aproveitamento dos órgãos disponíveis.
O desafio persistente da recusa familiar
Apesar dos indicadores positivos, o sistema de transplantes brasileiro enfrenta um gargalo crítico: a recusa familiar. Em 45% dos casos de potenciais doadores, as famílias optaram por não autorizar a retirada dos órgãos. Esse índice permanece como o principal obstáculo para a efetivação das doações no país, superando as contraindicações médicas, que representaram 19% das perdas.
Especialistas da área apontam que o caminho para reverter esse cenário envolve um aprimoramento sensível no acolhimento familiar. A estratégia sugerida pela ABTO inclui o fortalecimento do suporte psicológico e informativo aos parentes no momento da perda, além da flexibilização de critérios de aceitação para doadores limítrofes, permitindo que equipes especializadas possam ampliar o leque de órgãos aptos para transplante.
Disparidades regionais e a fila de espera
A desigualdade no acesso aos transplantes é um reflexo das disparidades regionais do Brasil. Enquanto a região Sul lidera o ranking com uma taxa de 34,8 pmp — com destaque para Santa Catarina (42,8 pmp) e Paraná (38,9 pmp) —, a região Norte enfrenta dificuldades severas, registrando apenas 8,5 pmp. Estados como Roraima e Amapá não contabilizaram nenhum doador efetivo ao longo de 2025, evidenciando a necessidade de políticas públicas que descentralizem os centros transplantadores.
Enquanto a logística e a infraestrutura buscam melhorias, a lista de espera segue em ritmo de crescimento. Em dezembro de 2025, 73.877 pacientes aguardavam por um órgão, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. O impacto humano desse déficit é alarmante: 4.102 pessoas faleceram enquanto esperavam por um transplante, um crescimento de 9% nas mortes em comparação a 2024.
O cenário crítico dos transplantes pediátricos
A situação das crianças em fila de espera é um ponto de atenção especial para a comunidade médica. O número de doadores pediátricos apresentou queda, passando de 274 em 2023 para 211 em 2025. Embora o número total de procedimentos pediátricos tenha registrado um leve aumento, atingindo 586 cirurgias, a demanda ainda supera a capacidade de oferta.
A ABTO classifica a situação como de “relativa estagnação”. As barreiras para o transplante infantil incluem o encaminhamento tardio aos centros especializados, a concentração geográfica dos serviços e dificuldades socioeconômicas que impedem o acesso das famílias ao tratamento adequado. O falecimento de 50 crianças na fila de espera em 2025 reforça a urgência de medidas que facilitem a logística e o atendimento especializado em todo o território nacional.
O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos das políticas de saúde pública e os avanços na medicina de transplantes. Continue conosco para se manter informado sobre os temas que impactam a sociedade brasileira e o cenário internacional com a profundidade e a credibilidade que você merece.
