Há 40 anos no Brasil, o canistel, "fruta de ouro" com polpa cremosa e vitaminas, ainda divide paladares

Há 40 anos no Brasil, o canistel, “fruta de ouro” com polpa cremosa e vitaminas, ainda divide paladares.

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Conhecido por sua polpa vibrante, de cor que lembra a gema de ovo, e uma textura cremosa, o canistel (Pouteria campechiana) conquistou o apelido de “fruta de ouro” entre produtores e entusiastas no Brasil. Embora para muitos seu sabor remeta ao doce de leite, uma comparação que o próprio responsável por sua introdução no país contesta, o que realmente chama a atenção é o seu notável valor nutricional, muitas vezes subestimado.

Esta fruta exótica, pertencente à família das sapotáceas, desembarcou em terras brasileiras há cerca de quatro décadas, trazendo consigo um debate sobre seu paladar peculiar. Enquanto alguns a consideram irresistível, outros não se convencem pela doçura discreta em uma primeira mordida. No entanto, sua riqueza em vitaminas e outros nutrientes a posiciona como um alimento de grande interesse, especialmente para quem busca diversificar a dieta com opções saudáveis e pouco convencionais.

A jornada do canistel da Flórida ao Brasil

A história do canistel no Brasil começa com o professor Luiz Carlos Donadio, pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Jaboticabal. Durante seu pós-doutorado na Flórida, nos Estados Unidos, Donadio dedicou-se à missão de introduzir frutas exóticas de diversas partes do mundo no território brasileiro. Foi na estação de pesquisa de Homestead, um renomado polo de fruticultura tropical no sul da Flórida, que ele encontrou uma vasta coleção de espécies, entre as quais o canistel.

Com o apoio fundamental da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a devida autorização do Cenargen, um dos centros de pesquisa da instituição, aproximadamente 100 espécies diferentes foram importadas na época. O canistel, já conhecido e cultivado no México e em países vizinhos, apresentava características promissoras de adaptação ao clima brasileiro. Donadio explica que as condições climáticas do Brasil, especialmente no estado de São Paulo, são bastante similares às do México, o que garantia uma boa adaptação da fruta em regiões tropicais e subtropicais.

Um perfil nutricional que surpreende

Além de sua aparência convidativa, a “fruta de ouro” se destaca por um perfil nutricional robusto. Dados compilados no livro de referência sobre a espécie, escrito por Luiz Carlos Donadio em coautoria com Antônio Baldo Geraldo Martins, revelam que o canistel é uma excelente fonte de vitaminas. A polpa alaranjada é rica em vitamina A, essencial para a visão e a saúde da pele, e também apresenta altos teores de vitamina C, conhecida por fortalecer o sistema imunológico, e vitamina B3 (niacina), importante para o metabolismo energético.

A fruta também se distingue por sua densidade calórica, concentrando 138 calorias a cada 100 gramas, um valor superior ao de outras sapotáceas. Esse grupo botânico é caracterizado pela presença de látex, frutos carnosos e sementes singulares. Essa concentração de energia, aliada à riqueza vitamínica, faz do canistel uma opção nutritiva para quem busca um alimento que ofereça mais do que apenas um sabor diferente.

Sabor peculiar e o desafio da popularização

A textura do canistel é frequentemente comparada à de uma gema de ovo cozida, o que lhe rendeu o apelido de “egg fruit” em inglês. No entanto, seu sabor é um ponto de discórdia. Enquanto muitos consumidores o associam ao doce de leite, o professor Donadio refuta essa comparação, destacando que a pouca doçura é, na verdade, o principal fator que ainda limita a popularização da fruta no Brasil, mesmo após 40 anos de sua introdução.

“Embora seja uma fruta altamente nutritiva, ela não foi rapidamente aceita. O canistel não tem a doçura como atrativo, então cerca de metade das pessoas gosta e a outra não”, afirma Donadio. Essa característica faz com que a fruta ocupe um nicho específico no mercado, sendo mais encontrada em feiras e mercados especializados em frutas exóticas, especialmente no interior paulista.

Cultivo e o futuro no mercado brasileiro

A adaptabilidade do canistel é uma de suas grandes vantagens. A fruta se desenvolve bem em climas tropicais e subtropicais, tolerando até mesmo geadas leves, e prospera em diferentes tipos de solo. Essas características favoreceram sua disseminação em pequenas plantações e quintais, principalmente no estado de São Paulo, onde o professor Donadio realizou grande parte de sua pesquisa e introdução.

Apesar de suas qualidades, Donadio não vislumbra o canistel como uma futura commodity agrícola. Ele acredita que seu potencial reside no segmento de frutas exóticas, ocupando um nicho de mercado, assim como outras espécies menos convencionais. Para quem deseja experimentar, a orientação é colher a fruta ainda firme, mas já com sinais de amarelamento. Ela amadurece completamente em cerca de uma semana, tornando-se macia e pronta para o consumo, e aguenta bem o transporte nesse período.

O canistel, com sua riqueza nutricional e sabor que desafia definições, continua a ser uma joia no universo das frutas exóticas brasileiras, convidando à experimentação e à descoberta de novos paladares. Para mais informações sobre inovações na agricultura e o universo das frutas exóticas, visite o site da Embrapa, uma fonte confiável de pesquisa e desenvolvimento no setor.

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