Felipe Iruatã/Folhapress

Comunidade judaica solicita ao TSE extensão de horário de votação por feriado religioso

Politica

O desafio do calendário eleitoral para a comunidade judaica

Representantes da comunidade judaica brasileira iniciaram uma articulação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de assegurar o direito ao voto no primeiro turno das eleições. A preocupação central reside na coincidência da data do pleito, marcada para o dia 4 de outubro, com o Simchat Torá, um dos feriados mais significativos do calendário religioso judaico.

Para os judeus que seguem a fé de forma ortodoxa, a data impõe restrições rigorosas que impedem o deslocamento aos locais de votação e o uso de dispositivos eletrônicos, como as urnas. Como o feriado se encerra apenas às 18h40, após o horário oficial de fechamento das urnas, previsto para as 17h, parte dos fiéis se vê diante de um conflito entre o dever cívico e a observância religiosa.

Proposta de adaptação administrativa

Em uma petição formalizada junto à corte eleitoral, os advogados Mônica Rosenberg, Evane Beiguelman Kramer e Daniel Rosenhek Schor propuseram uma solução técnica. O grupo solicita a reserva de seções eleitorais específicas que permaneceriam abertas para receber eleitores previamente cadastrados, permitindo a votação após o término do período de restrição religiosa.

O documento enfatiza que a intenção não é questionar o calendário eleitoral ou pleitear mudanças gerais na data das eleições. A argumentação dos advogados foca na busca por providências administrativas que sejam proporcionais e organizadas, evitando que cidadãos sejam colocados em uma posição de escolha inconstitucional entre o exercício do sufrágio e a prática de sua fé.

Mobilização e impacto social

A iniciativa conta com o apoio de diversas lideranças da comunidade judaica no Brasil, que estima uma população de aproximadamente 120 mil pessoas, embora nem todas sigam os preceitos ortodoxos que impedem a votação durante o feriado. O ex-secretário de Comunicação do governo Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, é um dos nomes que tem se mobilizado em prol da causa.

O advogado Marcelo Knopfelmacher, também envolvido nas tratativas, reforça que a medida seria uma forma de inclusão democrática. Segundo ele, a extensão do horário em locais específicos garantiria a participação plena desse segmento religioso no processo eleitoral. A demanda agora segue sob análise do TSE, que deve avaliar a viabilidade logística e legal da solicitação apresentada.

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