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Impacto das canetas emagrecedoras no metabolismo de mulheres durante a menopausa

Saúde

A busca por controle metabólico na transição hormonal

O uso de medicamentos agonistas do GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, tem crescido de forma expressiva entre o público feminino. Dados coletados em janeiro deste ano indicam que a maior parte das prescrições no Brasil é destinada a mulheres com idade média de 47 anos. Este perfil demográfico coincide com a perimenopausa, um período marcado por intensas transformações hormonais que frequentemente resultam em ganho de peso.

emagrecimento: cenário e impactos

Estudos indicam que entre 60% e 70% das mulheres de meia-idade relatam o aumento de peso como um dos sintomas mais desafiadores desta fase. Segundo uma pesquisa publicada no Women’s Health Reports, a média de ganho ponderal estimada é de 0,7 kg por ano durante este ciclo. A mudança não é apenas estética, mas reflete uma reconfiguração profunda do metabolismo feminino impulsionada pela queda do estrogênio.

Por que o corpo muda na menopausa

A redução dos níveis de estrogênio altera a forma como o organismo processa a energia e distribui a gordura corporal. Karen Faggioni, presidente eleita da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), destaca que o estrogênio atua como um fator de proteção contra doenças cardiovasculares e resistência insulínica. Sem essa proteção, o corpo torna-se mais suscetível à hipertensão e dislipidemia.

Além disso, o ginecologista José Maria Soares Júnior, da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), aponta que a transição hormonal dificulta a manutenção da massa magra. Simultaneamente, ocorre um aumento nos níveis de grelina, o hormônio responsável por estimular o apetite, criando um cenário biológico que favorece o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal.

Eficácia dos medicamentos em diferentes fases hormonais

Apesar das alterações metabólicas, evidências científicas sugerem que a eficácia dos agonistas do GLP-1 permanece consistente. O estudo Surmount, que avaliou o uso de tirzepatida, demonstrou que a redução de peso ocorre de forma eficaz em todas as fases reprodutivas, sem diferenças estatisticamente significativas entre elas. Isso reforça que o medicamento consegue contornar, em certa medida, as barreiras biológicas impostas pela menopausa.

Outro marco importante é o estudo Step Up, publicado na revista Lancet Diabetes & Endocrinology. A pesquisa revelou que a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, promoveu uma perda de peso superior a 20% em quase metade dos participantes. Um dado relevante é que a maior parte da redução foi de gordura, incluindo a gordura infiltrada no músculo, conhecida como miosteatose, o que melhora a composição corporal geral.

Segurança e sinergia terapêutica

Do ponto de vista clínico, a segurança é um ponto central. Fernanda Canedo, gerente médica da Novo Nordisk Brasil, afirma que não há relatos de interações medicamentosas graves entre a semaglutida e fármacos comumente utilizados por mulheres nessa faixa etária, como estatinas para controle de colesterol ou anti-hipertensivos. Essa compatibilidade facilita a adesão ao tratamento em pacientes com comorbidades.

Pesquisas observacionais recentes, como a realizada por médicos da Mayo Clinic e publicada no The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, sugerem ainda uma sinergia positiva. Mulheres na pós-menopausa que combinam a reposição hormonal com o uso de semaglutida podem apresentar uma resposta até 35% maior na perda de peso. Contudo, especialistas reforçam que o acompanhamento médico é indispensável para avaliar cada caso individualmente.

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