3.fev.26/AFP

Filho de Maduro relata pânico e temor pela vida do pai durante operação dos EUA na Venezuela

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Em uma revelação que lança nova luz sobre os bastidores da deposição de Nicolás Maduro, seu filho, conhecido como Nicolasito, afirmou que a família temeu pela vida do então ditador venezuelano durante a incursão militar dos Estados Unidos. O episódio, ocorrido em 3 de janeiro, culminou na captura de Maduro e sua extradição para os EUA, onde enfrenta acusações graves.

A declaração de Nicolás Maduro Guerra, feita em entrevista ao jornal espanhol El País, oferece um vislumbre da tensão vivida naquele dia, marcado por bombardeios em Caracas e outras regiões da Venezuela, que resultaram na morte de quase cem pessoas. A narrativa do filho humaniza um evento de grande impacto geopolítico, mostrando o lado pessoal de uma crise que redefiniu o cenário político do país.

O dia da incursão e o temor pela vida do líder

A manhã de 3 de janeiro de 2026 ficará marcada na história venezuelana como o dia da operação que depôs Nicolás Maduro. Segundo Nicolasito, a intensidade dos ataques fez com que todos acreditassem no pior. “Todos nós pensamos que ele fosse morrer naquele dia”, relembrou o filho, ecoando o sentimento de desespero que tomou conta da família.

Em meio ao caos dos bombardeios, Maduro conseguiu enviar uma mensagem de áudio ao filho, que se tornou um testemunho da sua percepção da gravidade da situação. “Nico, eles estão bombardeando. Deixe a pátria continuar lutando, vamos em frente”, teria dito o então líder, uma frase que, nas palavras de Nicolasito, demonstrava que “ele pensou que ia morrer naquele dia”. A operação, que incluiu ataques aéreos em Caracas e outras localidades, deixou um rastro de destruição e um alto número de vítimas, com quase cem pessoas mortas, conforme o relato.

A captura, as acusações e a transição de poder

Após a intensa operação militar, Nicolás Maduro foi capturado e levado para os Estados Unidos, onde passou a ser julgado por diversas acusações, incluindo tráfico de drogas. A transferência de um chefe de Estado deposto para ser julgado em solo americano representou um marco nas relações internacionais e na política venezuelana.

Na ausência de Maduro, a então vice-líder, Delcy Rodríguez, assumiu o comando do país de forma interina, buscando estabilizar a nação em meio à turbulência. A captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que também está detida, abriu um novo capítulo na já complexa crise política e humanitária da Venezuela, gerando incertezas sobre o futuro do país e a continuidade das instituições.

A nova rotina na prisão do Brooklyn

Atualmente detido em uma prisão de segurança máxima no Brooklyn, Nicolás Maduro mantém contato com o filho por telefone. Nicolás Maduro Guerra revelou que grava as conversas com o pai, que agora exibe uma faceta inesperada: a de um leitor obsessivo da Bíblia. “Meu pai nunca foi assim antes, mas agora, nas ligações, às vezes ele começa dizendo: ‘Você tem que ouvir Mateus 6:33. E 3 Coríntios. E o Salmo 108’”, conta Nicolasito, evidenciando uma transformação na rotina e no comportamento do ex-líder.

Além das referências bíblicas, as conversas entre pai e filho abordam temas mais cotidianos, como a família, os acontecimentos na Assembleia Nacional e até mesmo futebol. Maduro, segundo o filho, não perde o interesse pelos resultados esportivos, chegando a expressar frustração com a eliminação do Barcelona da Liga dos Campeões em abril, exclamando: “Puxa, que fiasco!”. Esses detalhes oferecem um contraste com a imagem pública do ex-ditador, revelando um lado mais pessoal e, talvez, uma tentativa de encontrar consolo em sua nova realidade.

Repercussão e as esperanças do filho

A entrevista de Nicolasito ao El País não é a primeira vez que ele se manifesta publicamente sobre a situação do pai. No final de março, durante uma manifestação em Caracas em apoio a Maduro, ele já havia expressado à agência de notícias AFP a esperança de que “o julgamento prosseguisse dentro da estrutura da lei americana” e que “as acusações [contra o ditador deposto] fossem retiradas”.

A posição do filho reflete a complexidade do caso e a expectativa de um desfecho favorável, mesmo diante da gravidade das acusações. A repercussão dessas declarações é significativa, pois mantém o debate sobre a legitimidade do processo e o futuro político da Venezuela em evidência. A comunidade internacional e os venezuelanos continuam a acompanhar de perto os desdobramentos, cientes de que o destino de Maduro tem implicações profundas para a estabilidade regional. Para mais informações sobre a política internacional, acesse Notícias Internacionais.

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