O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, anunciou nesta terça-feira (19) a intenção de destacar do orçamento do filme “Dark Horse” os valores doados pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração surge após o vazamento de cenas do trailer da produção nas redes sociais, gerando repercussão e levantando questionamentos sobre a relação entre o político e o empresário, que enfrentou problemas com a Justiça.
Flávio Bolsonaro afirmou a jornalistas que o montante doado por Vorcaro será separado e ficará à disposição das autoridades competentes. A medida visa garantir transparência e responder às recentes revelações sobre o financiamento do longa-metragem, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O “vazamento” do trailer e a repercussão imediata
A divulgação do trailer de “Dark Horse” ocorreu de forma inesperada. Uma sessão do filme havia sido organizada para deputados do Partido Liberal (PL) nesta terça-feira. Logo após o evento, o vídeo completo do trailer começou a circular intensamente em redes sociais ligadas à direita, com diversos aliados comemorando o fim do que era, até então, um segredo.
Entre os que repercutiram o material, o comentarista Paulo Figueiredo expressou entusiasmo. “Já que vazou o Trailer do filme Dark Horse de Jair Bolsonaro, não tenho mais que guardar segredo. Eu disse que tinha ficado arrepiante”, declarou, evidenciando o impacto do vazamento e a expectativa em torno da produção.
A controvertida doação de Daniel Vorcaro
A decisão de Flávio Bolsonaro de separar a doação de Daniel Vorcaro não é isolada. Ela acontece em meio à pressão gerada por uma apuração do site The Intercept Brasil, que revelou detalhes sobre a relação financeira entre o senador e o banqueiro. Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro teria feito diversas cobranças a Vorcaro para o pagamento de parcelas de um investimento total de R$ 134 milhões no filme, dos quais R$ 61 milhões foram efetivamente quitados.
Nesta terça-feira, diante das novas revelações e da crescente pressão, Flávio admitiu ter visitado o banqueiro após sua soltura da prisão, um fato que adicionou mais um elemento de controvérsia à situação. A visita ocorreu depois que Vorcaro havia sido libertado da primeira fase da Operação Compliance Zero.
Daniel Vorcaro: prisões e implicações legais
O banqueiro Daniel Vorcaro tem sido figura central em investigações policiais. Ele foi preso em 17 de novembro de 2025, durante a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP). Na ocasião, Vorcaro estaria prestes a embarcar para os Emirados Árabes Unidos, onde supostamente negociaria uma fatia do Banco Master com investidores árabes.
O empresário foi solto em 29 de novembro do mesmo ano, após uma decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1), que impôs medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e a entrega dos passaportes. Contudo, Vorcaro voltou à prisão preventivamente em 4 de março, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das ações do Master na Corte. A nova detenção foi motivada por suspeitas de interferência nas investigações e ameaça e coação de desafetos.
Impacto político na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro
A complexa relação com Daniel Vorcaro e as questões legais envolvendo o banqueiro têm gerado um cenário de danos para a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. O senador se reuniu com dirigentes do PL para explicar a situação e discutir os desdobramentos para sua campanha.
Durante o encontro, Flávio afirmou ter decidido colocar um “ponto final” na parceria com Vorcaro para o financiamento do filme. A intenção é buscar outros investidores para concluir a produção sobre seu pai, Jair Bolsonaro, na tentativa de mitigar os impactos negativos e reorganizar sua estratégia política.
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