A empresária Karina Ferreira da Gama, conhecida por ser a proprietária da produtora Go Up, responsável pelo filme ‘Dark Horse’ – uma obra que celebra a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) –, buscou, em 2025, a concessão de uso de uma residência na periferia de São Paulo. O pedido foi feito por meio de um programa municipal destinado a famílias de baixa renda, mas foi indeferido pela Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) após análise técnica.
A solicitação da empresária ganha contornos de controvérsia ao se considerar que suas empresas e ONGs têm sido beneficiadas por vultosas verbas públicas nos últimos anos. A reportagem da Folha de S.Paulo, que apurou o caso, procurou Karina Gama para esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação da matéria original.
O Pedido de Moradia em Programa Social para Karina Gama
Em janeiro de 2025, Karina Gama apresentou à Secretaria Municipal de Habitação um requerimento para transferir para seu nome a concessão de uso especial de um lote localizado na Brasilândia, um bairro na zona norte de São Paulo. De acordo com o Mapa da Desigualdade de São Paulo de 2024, a região é classificada como a de pior qualidade de vida na cidade, evidenciando a necessidade de programas habitacionais na área.
A empresária informou à prefeitura, conforme documentos obtidos pela Folha, que o local possuía quatro casas, todas ocupadas por sua família, e que ela própria residia no terreno. O benefício de concessão de uso especial, originalmente em nome de um tio de Karina falecido em 2018, permite que áreas públicas sejam utilizadas para fins de moradia, visando regularizar a situação de famílias em vulnerabilidade social.
Contudo, a Sehab confirmou que o pedido foi indeferido. A justificativa foi que Karina Ferreira da Gama não atendia aos requisitos previstos na legislação municipal para a concessão. A secretaria enfatizou que todos os processos de transferência são submetidos a uma análise técnica e jurídica individualizada, garantindo a observância dos critérios legais e normativos aplicáveis.
Conexões Empresariais e Verbas Milionárias
A tentativa de Karina Gama de obter um benefício habitacional para baixa renda contrasta com o volume de recursos públicos que suas entidades têm movimentado. A empresária é sócia de diversas outras empresas e preside o Instituto Conhecer Brasil e a ANC (Academia Nacional de Cultura), organizações que receberam quantias significativas do poder público.
Em 2024, o Instituto Conhecer Brasil firmou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes (MDB). O objetivo do contrato, assinado após um chamamento público, era fornecer internet Wi-Fi em comunidades de baixa renda da capital paulista. Este contrato, de grande valor, está atualmente sob investigação do Ministério Público de São Paulo, levantando questionamentos sobre a sua legalidade e execução.
Além do contrato com a prefeitura, o instituto e a ANC também foram beneficiados por emendas parlamentares. Deputados do Partido Liberal (PL) direcionaram mais de R$ 4,5 milhões em emendas para as duas entidades presididas por Karina Gama, entre os anos de 2024 e 2025. Essa injeção de recursos públicos adiciona uma camada de complexidade à situação da empresária, que, ao mesmo tempo, buscava um benefício social.
Repercussão e o Silêncio da Empresária
A revelação do pedido de moradia por parte de uma empresária com contratos milionários com o poder público gerou repercussão. A Folha de S.Paulo buscou contato com Karina Gama por meio de sua assessoria para obter um posicionamento sobre o pedido de concessão do terreno em meio aos contratos públicos, mas não obteve retorno. O silêncio da empresária em face das acusações e questionamentos públicos é um ponto relevante na apuração.
Vizinhos da residência na Brasilândia, incluindo parentes, confirmaram à reportagem que Karina ainda vive no local com seus pais. No entanto, eles não souberam informar sobre suas atividades profissionais, destacando a discrição em torno de sua vida e negócios, apesar de sua crescente visibilidade no cenário político e cultural com a produção de ‘Dark Horse’.
Este caso sublinha a importância da transparência na gestão de recursos públicos e na concessão de benefícios sociais. A investigação do Ministério Público sobre o contrato de R$ 108 milhões e a análise rigorosa dos pedidos de programas habitacionais são cruciais para garantir que os recursos e as oportunidades cheguem a quem realmente precisa, em conformidade com a lei. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes, continue conectado ao Diário Global, seu portal de informação atualizada e contextualizada, comprometido com o jornalismo de qualidade.
