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Luís Ernesto Lacombe: décadas de carreira jornalística e a busca por um novo olhar sobre a notícia

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Com quase quatro décadas dedicadas à comunicação, o jornalista Luís Ernesto Lacombe, figura conhecida do público brasileiro, reflete sobre sua vasta trajetória profissional e os desafios que moldaram sua percepção sobre a imprensa. De uma formação acadêmica inicial distante de seus anseios literários a uma carreira consolidada em grandes veículos, Lacombe compartilha as experiências que o levaram a criar um curso com o objetivo de resgatar os princípios fundamentais do jornalismo.

Sua jornada é um testemunho da adaptabilidade e da paixão pela comunicação, mesmo quando o caminho profissional se desenhou de forma inesperada, longe do sonho de estudar Literatura Brasileira, nutrido desde a infância na biblioteca de seu avô, o imortal Américo Jacobina Lacombe.

De Sonhos Literários à Tela da TV: A Trajetória Inesperada

A pressão paterna, que o direcionava para áreas consideradas mais promissoras, levou Luís Ernesto Lacombe a cursar Processamento de Dados na PUC/RJ e Estatística na Uerj nos anos 1980. Foram quase três anos de uma rotina acadêmica árdua, marcada por disciplinas exatas e linguagens de programação complexas, em uma época sem terminais de computador, onde cartões perfurados eram a norma. A insatisfação com a área, que ele descreve como “pura tortura”, o fez trancar ambas as faculdades, gerando descontentamento familiar e até a sugestão de terapia.

Após um breve período na faculdade de Psicologia, também na PUC, Lacombe finalmente reuniu coragem para confrontar o pai sobre seu desejo de estudar Letras. A resposta paterna, embora não diretamente alinhada com o curso desejado, abriu uma nova porta: “Quer ler e escrever? Então, vai fazer Jornalismo”. Essa sugestão se mostraria um divisor de águas, encaminhando-o para uma carreira que, apesar de não ser o plano inicial, o consagraria no cenário midiático nacional.

Consolidação e Desafios nas Grandes Emissoras

A entrada de Lacombe no jornalismo foi marcada por uma série de acasos. Aprovado em segundo lugar no vestibular de Comunicação Social, ele teve o apoio do pai, que, infelizmente, faleceu antes de testemunhar o início de sua carreira. A primeira grande oportunidade surgiu na TV Bandeirantes, onde, ainda estagiário, foi lançado na cobertura das eleições de 1989. Este momento histórico, que marcou a primeira eleição presidencial direta após o regime militar, o colocou pela primeira vez diante de câmeras e microfones, revelando um talento natural para a reportagem e, em pouco tempo, para a apresentação de telejornais locais.

Sua trajetória o levou à Rede Manchete como repórter especial e, em 1992, à RBS TV, afiliada da Rede Globo em Florianópolis. Após cinco anos, retornou ao Rio de Janeiro, contratado pela Rede Globo, onde atuou como repórter e, posteriormente, se firmou como apresentador de programas como o Esporte Espetacular e os blocos de esporte do Bom Dia, Brasil. Após duas décadas na emissora dos Marinho, Lacombe retornou à Bandeirantes, onde o programa “Aqui na Band” passou por uma transformação, focando em pautas políticas. Essa fase foi marcada por intensas pressões, culminando no encerramento do programa. Em seguida, transferiu-se para a RedeTV!, onde, segundo ele, a liberdade de trabalho foi cerceada com a proximidade das eleições de 2022.

A Vasta Experiência Multimídia e o Propósito de Ensinar

Ao longo de quase 40 anos, a carreira jornalística de Luís Ernesto Lacombe transcendeu a televisão, abrangendo também jornais impressos como o Diário Catarinense, ND (SC) e O Liberal (PA), além de portais digitais como Gazeta do Povo, Brasil Paralelo e O Cruzeiro. Sua experiência multifacetada inclui funções como produtor, repórter, editor de texto, editor-executivo, apresentador, âncora, narrador e comentarista, demonstrando uma compreensão abrangente de todas as etapas da produção de notícias.

Essa vasta vivência o motivou a planejar, há cerca de seis anos, o lançamento de um curso de Jornalismo. A percepção de uma lacuna no mercado – a ausência de cursos de qualidade ministrados por profissionais experientes e reconhecidos – impulsionou a iniciativa. Lacombe reuniu um extenso material, com exemplos positivos e, em maior número, negativos, para destrinchar os processos jornalísticos de forma clara e objetiva: pré-produção, produção, reportagem, edição, fechamento e apresentação.

Jornalismo para Todos: Resgate da Credibilidade e Senso Crítico

O curso “Jornalismo para Todos” foi inicialmente concebido para estudantes e recém-formados, bem como para produtores de conteúdo digital. No entanto, seu escopo se expandiu para incluir profissionais de diversas áreas, como advogados, publicitários e empreendedores, que buscam aprimorar suas habilidades de observação, argumentação e comunicação. Um dos pilares do projeto é, contudo, o público consumidor de notícias, que, segundo Lacombe, está cansado de ser “enganado por uma imprensa que deixou de ser imprensa”.

O objetivo é capacitar o leitor a compreender os bastidores do jornalismo, identificando as “artimanhas” que podem transformar informações falsas ou parcialmente falsas em “verdade absoluta”. A iniciativa de Lacombe representa um esforço ambicioso para plantar a semente de uma virada, fomentando jornalistas comprometidos com os princípios éticos da profissão e consumidores com senso crítico aguçado, capazes de discernir e escapar do que ele descreve como um jornalismo corrompido e subvertido. Para mais informações sobre a importância da ética na mídia, consulte a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

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