Falsificação de remédios online é o maior temor de 69% dos consumidores, aponta pesquisa

Falsificação de remédios online é o maior temor de 69% dos consumidores, aponta pesquisa

Saúde

O peso da desconfiança no ambiente digital

A compra de medicamentos pela internet, embora cada vez mais integrada à rotina dos brasileiros, ainda carrega uma carga significativa de receio. Segundo um levantamento realizado pelo Instituto QualiBest, a pedido da Abrafarma (Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias), a possibilidade de adquirir um produto falsificado é o principal temor de 69% dos consumidores que utilizam o meio digital para adquirir fármacos.

O estudo, que ouviu 2.024 pessoas em todo o país entre 13 e 17 de julho de 2026, revela que a segurança é o pilar central da decisão de compra. Além da falsificação, os entrevistados destacaram outros riscos críticos: 59% temem receber itens vencidos ou armazenados de forma inadequada, enquanto 54% expressam preocupação com a aquisição de produtos sem o devido registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Regulação e o novo cenário dos marketplaces

Os dados ganham relevância diante de uma mudança recente no setor. Na quarta-feira (12) de agosto de 2026, a Anvisa abriu caminho para que medicamentos possam ser comercializados por meio de aplicativos de entrega e grandes marketplaces, como iFood, Rappi, Mercado Livre, Americanas e Shopee. A medida revogou restrições anteriores, embora a implementação efetiva ainda dependa de uma regulamentação específica por parte da agência.

Apesar da abertura para plataformas digitais, a norma estabelece que a responsabilidade técnica e o armazenamento permanecem restritos às farmácias e drogarias. São esses estabelecimentos que detêm autorização para a dispensação — o ato em que o farmacêutico fornece o medicamento e orienta o paciente sobre o uso correto — e para a manutenção da cadeia de suprimentos junto aos laboratórios. A separação entre o canal de venda e o responsável pela saúde do produto é um ponto nevrálgico no debate sobre segurança sanitária.

A visão do consumidor sobre responsabilidade

A percepção pública sobre o papel das plataformas digitais é clara: 85% dos entrevistados defendem que os marketplaces devem ser responsabilizados caso ofereçam medicamentos falsificados ou sem registro. Além disso, existe um forte consenso sobre a necessidade de manter o vínculo entre a venda online e o estabelecimento físico: 82% dos participantes afirmam que a comercialização na internet deve estar obrigatoriamente atrelada a uma farmácia ou drogaria autorizada.

Para 71% dos brasileiros ouvidos, medicamentos não devem ser tratados como mercadorias comuns, reforçando a ideia de que o setor exige cuidados distintos de outros segmentos do varejo eletrônico. Sérgio Barreto, CEO da Abrafarma, destaca que os resultados confirmam o que o setor tem alertado: a natureza singular do medicamento exige rigor que vai além da conveniência logística.

Perfil e metodologia do levantamento

A pesquisa foi estruturada em duas etapas para garantir profundidade. A fase qualitativa ocorreu em junho de 2026, com grupos de discussão online, enquanto a etapa quantitativa utilizou um questionário estruturado. A amostra contemplou as cinco regiões do Brasil, com um perfil equilibrado entre homens (51%) e mulheres (49%), com média de idade de 45 anos. A diversidade de classes sociais também foi considerada, abrangendo consumidores das classes A, B e C, o que confere um panorama abrangente sobre o comportamento de compra no país.

O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos da regulamentação da Anvisa e o impacto dessa nova dinâmica no mercado farmacêutico brasileiro. Continue acessando nosso portal para se manter informado sobre saúde, economia e os temas que impactam diretamente o seu dia a dia com a credibilidade que você exige.

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