ChatGPT sobre foto de Call My Doctor Health Care/Pixabay

Medida provisória de Lula intensifica debate sobre avaliação da formação médica

Últimas Notícias

Uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 19 de junho reacendeu um debate crucial sobre a qualidade da formação médica no Brasil. A iniciativa presidencial, que estabelece a obrigatoriedade de uma pontuação mínima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) para o registro profissional, entra em rota de colisão com um projeto de lei já em tramitação no Congresso que propõe um exame similar, mas sob a organização do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Este embate não se limita à escolha do órgão responsável pela aplicação da prova; ele toca diretamente na capacidade dos futuros médicos e, consequentemente, na segurança e qualidade do atendimento oferecido à população brasileira. A disputa entre o Ministério da Educação (MEC), por meio do Inep, e o CFM, coloca em xeque os modelos de avaliação e a própria autonomia da classe médica.

O embate sobre a formação médica no Brasil

A medida provisória de Lula determina que egressos de faculdades de Medicina obtenham uma pontuação mínima no Enamed, exame realizado pelo Inep, vinculado ao Ministério da Educação. Sem essa aprovação, o registro profissional seria negado. Contudo, o Congresso Nacional já analisa o Projeto de Lei 2294/2024, que institui o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), a ser organizado pelo CFM.

O PL do Profimed, protocolado em 2024, ganhou força e foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em fevereiro deste ano, em caráter terminativo. No entanto, um pedido de senadores para que o plenário também o analise fez com que o texto ficasse parado. A proposta do CFM busca um modelo análogo ao Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que é pré-requisito para o exercício da advocacia.

A relevância da avaliação para a saúde pública

A discussão sobre a qualidade da formação médica ganhou urgência no início do ano, após a revelação de que 57 cursos de Medicina foram punidos pelo MEC devido ao desempenho insatisfatório de seus alunos na primeira edição do Enamed, realizada em 2025. Este cenário sublinha a necessidade de mecanismos rigorosos de avaliação para garantir que apenas profissionais devidamente capacitados atuem na área.

Embora regulamentações que restringem o acesso a profissões sejam frequentemente criticadas por criar reservas de mercado, a medicina é uma exceção notável. Profissões que lidam com bens indisponíveis, como a vida, a saúde e a integridade física, exigem um controle mais estrito. A exigência de um diploma de Medicina e, eventualmente, de um exame adicional de proficiência, é considerada razoável e proporcional para proteger a sociedade de profissionais despreparados. O Conselho Federal de Medicina, como órgão regulador, argumenta que sua participação na elaboração e aplicação de tal exame é fundamental.

Desafios e críticas aos modelos de exame

A implementação de um exame de proficiência médica, contudo, não está isenta de desafios. Conselheiros do CFM, por exemplo, apontam que o Enamed atual se baseia apenas em questões objetivas de múltipla escolha, sem incluir uma prova prática. A ausência de uma avaliação prática levanta questionamentos sobre a capacidade do exame de aferir habilidades clínicas essenciais.

Por outro lado, a criação de um exame prático abrangente para a medicina, dada a multiplicidade de especialidades, apresenta complexidades logísticas. Um teste genérico demais pode ser insuficiente, enquanto um que contemple todas as especialidades se tornaria inviável. Além disso, há preocupações com o histórico do Inep em outros exames, como o Enem e o Enade 2025, onde questões com cunho ideológico-identitário foram identificadas. Um exame de proficiência médica, argumenta-se, deve focar exclusivamente na capacidade técnica e científica do candidato para oferecer atendimento de qualidade, sem desviar para alinhamentos ideológicos que possam, inclusive, negar fundamentos biológicos da ciência médica.

O papel do CFM e o futuro da regulamentação

É amplamente aceito que o órgão responsável por regular o exercício da medicina no país, o CFM, tenha um papel ativo na elaboração de um exame que permita o registro profissional. A comparação com a OAB, que organiza o exame para advogados, reforça essa perspectiva. Embora o Profimed ainda seja uma proposta em desenvolvimento e passível de alterações no Congresso, a certeza é que qualquer exame de proficiência médica deve ser técnico, imparcial e focado na competência do profissional.

A medida provisória do presidente Lula, ao intervir em um debate já em andamento no Congresso, é vista por alguns como uma tentativa de capitalizar politicamente a questão da qualidade da medicina em um ano eleitoral. Independentemente das motivações, a sociedade, o poder público e a classe médica compartilham o objetivo de reduzir as chances de negligências e imperícias, buscando meios eficazes para garantir que os brasileiros recebam atendimento médico qualificado. Nenhum diploma ou exame eliminará totalmente o erro médico, mas a busca por avaliações robustas é um passo fundamental para mitigar riscos.

Para se manter informado sobre este e outros temas que impactam diretamente a sua vida e a sociedade, continue acompanhando o Diário Global. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, com a profundidade que você merece.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *