Papa Leão 14 encontra imigrantes em Paris e defende dignidade em visita marcada por tensões políticas

Papa Leão 14 encontra imigrantes em Paris e defende dignidade em visita marcada por tensões políticas

Últimas Notícias

Em um momento de crescente polarização política na Europa, com a ascensão de partidos de ultradireita e extrema direita que adotam discursos linha-dura contra a imigração, o Papa Leão 14 fez um apelo contundente pela convivência com dignidade e paz. A mensagem foi proferida neste sábado, 26 de setembro de 2026, durante um encontro com migrantes em Paris, horas antes de uma grande missa que reuniu cerca de 600 mil pessoas na icônica Champs-Élysées, marcando um dos pontos altos de sua primeira visita à França.

O pontífice peruano-americano, que é neto de imigrantes, escolheu iniciar seu segundo dia na capital francesa visitando a Casa Bakhita, uma associação católica dedicada ao auxílio de migrantes. Ali, ouviu testemunhos emocionantes de exilados vindos do Afeganistão e da Nigéria, reforçando a importância do acolhimento e da solidariedade em um continente que debate intensamente suas políticas migratórias.

Mensagem de acolhimento em meio à polarização europeia

A visita do Papa Leão 14 à Casa Bakhita não foi apenas um gesto simbólico, mas uma declaração clara da Igreja Católica em defesa dos direitos e da dignidade dos migrantes. Em suas palavras, o pontífice expressou a alegria de começar o dia naquele local, que ele descreveu como um testemunho para toda a cidade de que “é possível se encontrar e conviver com dignidade e paz”. Este posicionamento ganha especial relevância no contexto europeu, onde a retórica anti-imigração tem sido um motor para o avanço de figuras políticas como a candidata de ultradireita Marine Le Pen, que lidera pesquisas para as próximas eleições presidenciais francesas.

Desde sua eleição como Papa em maio de 2015, Robert Francis Prevost, o Papa Leão 14, tem sido uma voz constante na defesa de exilados e refugiados, criticando abertamente políticas de imigração restritivas, como as implementadas pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Sua agenda na França reflete essa prioridade, buscando humanizar o debate e destacar a contribuição dos migrantes para a sociedade.

A Casa Bakhita e o legado de solidariedade

A Casa Bakhita, fundada em 2017, é um reflexo direto do apelo do Papa Francisco para “acolher, proteger e integrar” os estrangeiros. O nome da instituição homenageia Josefina Bakhita, uma sudanesa que foi escravizada, tornou-se freira e, posteriormente, foi canonizada pela Igreja Católica. A história de Santa Bakhita serve como um poderoso lembrete da resiliência humana e da necessidade de reconhecer a dignidade intrínseca de cada indivíduo.

O Papa Leão 14 enfatizou que “Santa Bakhita nos convida a ver aqueles que são invisibilizados, a libertar aqueles que a economia e a cultura reduzem à escravidão hoje, a honrar a infinita dignidade de cada irmão e irmã”. Para Marcela Villalobos, coordenadora das Capelanias Católicas para a Migração da Conferência Episcopal Francesa, a visita papal envia uma mensagem clara de que “muito mais pessoas são a favor de acolher os migrantes e construir uma nova sociedade, esta civilização do amor da qual o papa fala”.

Agenda papal: fé, política e desafios contemporâneos

A visita de Leão 14 à França, a primeira desde Bento 16 em 2008, foi recebida com grande entusiasmo popular. Na sexta-feira, 25 de setembro, 300 mil pessoas saudaram o pontífice durante seu percurso no papamóvel, e 80 mil jovens o receberam no Stade de France. A missa na Praça da Concórdia e na Champs-Élysées, com 600 mil fiéis, foi um evento de grande magnitude, contando com a presença de vários candidatos às eleições presidenciais francesas, incluindo Marine Le Pen, embora o atual chefe de Estado, Emmanuel Macron, estivesse ausente.

Além da questão migratória, o Papa Leão 14 abordou outros temas cruciais. Em seu discurso às autoridades francesas, ele discutiu o laicismo, afirmando que este “não consiste em excluir a religião da esfera pública”. O pontífice também levantou preocupações sobre os perigos da inteligência artificial e da eutanásia, condenando a “manipulação genética, a barriga de aluguel, o tráfico de órgãos” e a “oferta de morte programada”. Ele defendeu o “direito à vida” como fundamento dos direitos humanos, em uma crítica velada às políticas francesas que, em 2024, consagraram a liberdade do aborto na Constituição e, em julho, aprovaram o direito à eutanásia e ao suicídio assistido em certos casos.

A agenda do Papa incluiu ainda encontros com recém-batizados no Instituto Católico de Paris, em meio a um notável aumento de batismos de jovens na França nos últimos cinco anos, contrastando com o declínio geral da prática religiosa. Após Paris, o líder católico seguiu para o santuário de Lourdes, onde se encontraria com vítimas de abuso sexual na Igreja e concluiria sua viagem em Metz com um discurso sobre a paz e a União Europeia.

Acompanhe o Diário Global para mais análises aprofundadas sobre os principais eventos e debates que moldam o cenário mundial. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, permitindo que você compreenda os impactos desses acontecimentos na sua realidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *