30.abr.26/Reuters

Peru: pedido de prisão de candidato de esquerda intensifica incerteza eleitoral

Últimas Notícias

A corrida presidencial no Peru, já marcada por uma apuração lenta e acusações de irregularidades, ganhou um novo e dramático capítulo nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026. O Ministério Público do país solicitou a prisão do candidato Roberto Sánchez, do partido Juntos pelo Peru, por supostamente ter fornecido informações falsas ao órgão eleitoral sobre contribuições de campanha entre os anos de 2018 e 2020. A notícia lança uma sombra de incerteza sobre o processo eleitoral, especialmente porque Sánchez figura como provável candidato no segundo turno, em uma disputa apertada.

A denúncia, que foi confirmada pela Procuradoria-geral à agência AFP, aponta inconsistências nos relatórios financeiros do partido de esquerda durante as campanhas para eleições regionais e municipais nas quais Sánchez participou. Este desenvolvimento ocorre em um momento crucial, com o país aguardando a definição do segundo turno e o cenário político já bastante polarizado.

Acusações de falsidade ideológica e desvio de verbas

As acusações contra Roberto Sánchez são graves e detalhadas. Segundo o documento divulgado pela imprensa local, o candidato é acusado dos crimes de prestar declarações falsas em processos administrativos e de falsificar informações sobre contribuições e rendimentos de organizações políticas. A promotoria solicitou uma pena de cinco anos e quatro meses de prisão para Sánchez, além de pedir sua desqualificação como candidato, o que teria um impacto direto e profundo na eleição.

A investigação aponta que Sánchez teria recebido mais de US$ 57 mil (equivalente a cerca de R$ 285 mil) em contribuições de membros do partido para atividades partidárias. No entanto, esses valores não teriam sido devidamente declarados ao Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), órgão responsável pela fiscalização das finanças de campanha no Peru. A falta de transparência e a suposta omissão de dados financeiros são pontos centrais da denúncia, que busca garantir a integridade do processo eleitoral.

Cenário eleitoral em xeque: a disputa pelo segundo turno

O pedido de prisão de Roberto Sánchez surge em um momento de extrema tensão e indefinição no cenário eleitoral peruano. Com 99,941% dos votos do primeiro turno apurados, a disputa pela segunda vaga no pleito final está acirradíssima. Keiko Fujimori lidera com 17,1% dos votos, mas a definição de seu adversário ainda é incerta.

Roberto Sánchez, com 12% dos votos, e o candidato de extrema-direita Rafael López Aliaga, com 11,9%, estão em um empate técnico pela segunda posição. A diferença mínima entre os dois candidatos, somada à lentidão na apuração e às acusações de irregularidades que pairam sobre o processo, já gerava um clima de instabilidade. Agora, com a intervenção judicial contra um dos principais nomes, a incerteza se aprofunda, e a legitimidade do resultado pode ser questionada ainda mais intensamente. Para entender melhor o contexto político do Peru, leia mais sobre a política peruana na BBC News Brasil.

A defesa do candidato e os próximos passos da justiça

Em suas redes sociais, Roberto Sánchez reagiu veementemente às acusações, negando qualquer irregularidade. “Há anos tentam espalhar mentiras para me desacreditar politicamente. Os tribunais já rejeitaram as acusações referentes ao suposto uso pessoal de fundos partidários, porque nunca houve fraude ou desvio de verbas”, declarou o candidato. Ele argumenta que as denúncias fazem parte de uma campanha de difamação política, visando prejudicar sua imagem e sua candidatura.

O caso não é recente; foi apresentado pela primeira vez aos tribunais em janeiro de 2026, mas teve um desdobramento parcial, com o tribunal rejeitando parte da denúncia e solicitando que os promotores a reformulassem. Agora, o Judiciário agendou uma audiência para o dia 27 de maio. Nesta data, será determinado se o caso seguirá para julgamento ou se será arquivado. A decisão judicial terá implicações diretas não apenas para o futuro político de Sánchez, mas também para a configuração final da eleição presidencial peruana, podendo alterar drasticamente o panorama do segundo turno e a percepção pública sobre a lisura do processo democrático.

Acompanhe o Diário Global para mais atualizações sobre este e outros temas relevantes do cenário político internacional. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre bem informado sobre os acontecimentos que moldam o Brasil e o mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *