19.dez.25/Reuters

Programa de visto gold card de Donald Trump atrai menos de 340 interessados

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O ambicioso projeto do governo de Donald Trump, que prometia acelerar a residência nos Estados Unidos para investidores de alta renda através do chamado “gold card”, enfrenta um cenário de baixa adesão. Lançado com grande expectativa e promessas de arrecadação bilionária, o programa contabilizou até o momento apenas 338 solicitações formais, um número significativamente abaixo das projeções iniciais feitas por membros da gestão republicana.

Desempenho aquém das expectativas governamentais

Documentos judiciais apresentados pelo Departamento de Justiça revelam que a iniciativa não gerou o impacto esperado no sistema migratório do país. De acordo com os dados, apenas 165 pessoas efetuaram o pagamento da taxa de processamento de US$ 15 mil, enquanto 59 candidatos avançaram para as etapas de avaliação conduzidas pelo Departamento de Segurança Interna em conjunto com o Departamento de Estado.

A discrepância entre o interesse inicial e a concretização dos pedidos é notável. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, chegou a declarar em testemunho ao Congresso que, até o momento, apenas uma pessoa foi aprovada para o visto acelerado. A identidade deste beneficiário permanece sob sigilo, mantendo o programa envolto em incertezas sobre sua eficácia real como ferramenta de atração de capital estrangeiro.

Promessas de trilhões e a realidade do mercado

Quando o programa foi idealizado, a retórica oficial era de otimismo extremo. Lutnick chegou a sugerir que a venda de vistos poderia render até US$ 1 trilhão para o Departamento do Tesouro, com a meta de atrair indivíduos de alto poder aquisitivo. A ideia, atribuída ao bilionário e doador John Paulson, visava utilizar a receita para auxiliar no abatimento da dívida pública nacional, que supera a marca de US$ 37 trilhões.

Em declarações anteriores, o secretário de Comércio chegou a mencionar números ainda mais expressivos, citando a possibilidade de vender um milhão de vistos ao custo de US$ 5 milhões cada, o que totalizaria US$ 5 trilhões. Contudo, a prática demonstrou uma resistência maior do mercado, mesmo após o governo reduzir o valor do “gold card” para US$ 1 milhão em dezembro passado.

Controvérsias jurídicas e o futuro do programa

O programa não apenas enfrenta dificuldades de adesão, mas também é alvo de contestações judiciais. A Associação Americana de Professores Universitários moveu uma ação contra o governo, argumentando que o mecanismo substitui ilegalmente o sistema de imigração baseado em mérito, funcionando, na prática, como uma venda direta de vistos para os mais ricos.

Além das questões legais, o programa também gerou situações curiosas, como o caso da rapper Nicki Minaj, que recebeu um cartão “gratuito”. Posteriormente, o governo esclareceu que se tratava apenas de uma peça de lembrança, reforçando que o processo de residência segue critérios burocráticos rigorosos. Para mais análises sobre os desdobramentos da política externa e econômica dos Estados Unidos, continue acompanhando o Diário Global, seu portal de referência para notícias com profundidade e credibilidade.

Fonte: Financial Times

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