A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) expressou forte descontentamento com a postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em recentes votações cruciais no Congresso Nacional. A parlamentar petista afirmou que o governo não pode se dar ao luxo de ter um “inimigo dentro de casa”, em uma declaração que acende o alerta sobre a já complexa relação entre o Poder Executivo e o Legislativo.
As críticas de Hoffmann surgem após uma série de episódios que demonstraram um alinhamento de Alcolumbre com pautas contrárias aos interesses do governo. A tensão se intensificou em 5 de maio de 2026, quando a deputada, em entrevista à GloboNews, detalhou sua visão sobre os movimentos do senador.
A Tensão no Congresso e as Críticas da Liderança Petista
O epicentro da insatisfação de Gleisi Hoffmann reside em duas votações específicas que marcaram a semana no Congresso. A primeira delas foi a articulação de Davi Alcolumbre para a derrubada da indicação de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A segunda, e talvez mais simbólica, foi a derrubada do veto do presidente Lula (PT) ao projeto de lei da dosimetria.
Este projeto, de grande repercussão, propõe a redução das penas para condenados por golpe de Estado, o que incluiria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A aprovação da derrubada do veto foi vista por muitos como um revés significativo para o governo e um sinal claro de que a base aliada no Congresso não está tão consolidada quanto se esperava.
As Votações Polêmicas e o Desgaste da Base
A deputada não poupou palavras ao classificar a derrubada do veto presidencial como “vergonhosa”. Em sua fala, Gleisi Hoffmann atribuiu aos parlamentares que votaram a favor da medida, incluindo o próprio presidente Davi Alcolumbre, a “vergonha daquela tarde”. Essa declaração sublinha a gravidade da situação e a percepção de traição por parte de setores do governo.
Historicamente, a relação entre o Executivo e o Legislativo no Brasil é marcada por negociações e alianças estratégicas. No entanto, a fala de Hoffmann sugere que a linha entre a divergência política e a oposição interna está sendo cruzada, especialmente em um momento em que o governo busca consolidar sua agenda e evitar retrocessos. A atuação de Alcolumbre, que já foi considerado um aliado em diversas ocasiões, agora é vista com desconfiança.
O Cenário Eleitoral e a Demarcação de Campo
Questionada sobre a continuidade da relação com Alcolumbre, Gleisi Hoffmann reconheceu que o senador foi “correto sim na maioria dos casos” em votações anteriores, e que o governo também agiu de forma recíproca. Contudo, a deputada alertou para o que ela chamou de “jogo eleitoral” em que o presidente do Senado estaria entrando.
Para Hoffmann, o governo precisa “demarcar o seu campo” e não pode permitir que figuras que se opõem aos seus projetos atuem internamente. Embora tenha recuado de chamar Alcolumbre de “inimigo”, a petista foi enfática ao afirmar que, se o comportamento atual se mantiver, o senador “não vai ser um amigo, vai estar em outro palanque”. Essa demarcação de campo é crucial para as próximas disputas eleitorais, onde a coesão da base governista será posta à prova.
A Luta Contra a Extrema-Direita e o Futuro das Alianças
A deputada federal também abordou a necessidade de cautela nas alianças políticas. Ela defendeu que acordos com partidos de centro são fundamentais, mas ressaltou que essas alianças devem ser construídas apenas com aqueles que realmente apoiam o projeto do presidente. “Aliança só com quem vai estar no palanque com o presidente”, pontuou.
Gleisi Hoffmann reiterou a “responsabilidade histórica” de impedir o retorno da extrema-direita ao poder, criticando veementemente o governo anterior de Jair Bolsonaro, que ela classificou como um período de retrocessos para o país. A preocupação com a polarização política e a defesa da democracia são temas centrais na agenda do Partido dos Trabalhadores, e a manutenção de uma base aliada sólida é vista como essencial para alcançar esses objetivos.
Por fim, sobre a possibilidade de uma indicação feminina ao STF, a deputada manifestou simpatia pela ideia, mas enfatizou que a decisão final cabe exclusivamente ao presidente da República. A discussão sobre a composição do Supremo é mais um dos pontos sensíveis na relação governo congresso, com implicações diretas para a governabilidade e o equilíbrio entre os poderes.
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