Em um cenário de intensas negociações diplomáticas e conflitos persistentes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações contundentes durante a cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, nesta terça-feira, 16 de junho de 2026. Apesar de reafirmar uma “ótima relação” com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, Trump cobrou maior responsabilidade de Tel Aviv em relação ao Líbano, um dia após bombardeios israelenses no país vizinho.
A fala do líder americano ocorre em um momento crítico, logo após o anúncio de um acordo de paz para o Oriente Médio, mediado pelos EUA e Irã, que ainda aguarda a assinatura formal na Suíça. No entanto, a situação no Líbano e o futuro do grupo extremista Hezbollah permanecem como pontos de grande tensão e incerteza na região.
Trump sugere Síria para conter o Hezbollah e critica atuação israelense
A principal sugestão de Trump, revelada durante a cúpula, foi que Israel “deixe a Síria cuidar do Hezbollah”. Segundo o presidente, Israel “está lutando contra o Hezbollah há tempo demais” e “muitas pessoas morreram” nesse conflito prolongado. A proposta de Trump é que a Síria, sob a liderança interina de Ahmed al Sharaa, um ex-jihadista sunita, assuma a tarefa de enfrentar o grupo.
Al Sharaa, que derrubou o ditador Bashar al-Assad no final de 2024 e foi recebido por Trump na Casa Branca em novembro, tem sido elogiado pelo presidente americano por seu “trabalho fantástico”. Trump reiterou sua confiança na capacidade síria: “Se Israel não consegue fazer o trabalho [contra o Hezbollah] sem matar todo mundo, então ele [Al Sharaa] fará o trabalho. A Síria fará o trabalho”, enfatizou.
Essa não é a primeira vez que Trump aborda o tema. Em 7 de junho, em entrevista à NBC, ele já havia indicado a disposição do presidente sírio em ajudar a enfraquecer o Hezbollah. Fontes da chancelaria indicam que a Síria tem sofrido pressões nesse sentido desde o início do atual conflito, que arrastou o Líbano para a guerra após ataques do Hezbollah a Israel, em apoio ao Irã.
Contexto do conflito no Líbano e o papel do Hezbollah
O Líbano tem sido palco de uma ofensiva israelense que resultou na ocupação do sul do país e no deslocamento de pelo menos um milhão de pessoas. O Hezbollah, um grupo político e militar xiita com forte apoio do Irã, é uma força dominante na política libanesa e um adversário de longa data de Israel. O governo de Netanyahu tem prometido destruir o grupo por anos, sem sucesso, enquanto o Irã mantém seu apoio.
A proposta de Trump de envolver a Síria remete a um período histórico complexo. O ex-presidente sírio Hafez al-Assad, pai de Bashar al-Assad, interveio no Líbano durante a guerra civil em 1976, e as tropas sírias permaneceram no país por cerca de trinta anos, até serem forçadas a se retirar em 2005. A sugestão de Trump, portanto, evoca memórias de uma presença síria que moldou profundamente a dinâmica política e militar libanesa.
Acordo de paz no Oriente Médio e os desafios pendentes
O acordo de paz entre EUA e Irã, previsto para ser assinado na Suíça, visa encerrar o conflito no Oriente Médio. Contudo, diversas questões cruciais relativas ao Líbano permanecem sem solução, notadamente o desarmamento do Hezbollah, um objetivo defendido tanto por Washington quanto por Israel. Enquanto Netanyahu insiste na manutenção de suas tropas em áreas ocupadas por tempo indeterminado, Teerã afirma que o pacto prevê a suspensão dos ataques e a retirada israelense.
A intervenção de Trump, ao sugerir um papel para a Síria de Ahmed al Sharaa, adiciona uma nova camada de complexidade a um cenário já intrincado, onde a busca por estabilidade e a segurança regional se chocam com interesses divergentes e históricos de rivalidade.
Foco na Ucrânia: Trump busca acordo de paz em meio a avanços de Kiev
Após os desenvolvimentos no Oriente Médio, Donald Trump parece ter chegado à cúpula do G7 com um foco renovado na guerra na Ucrânia. Ele afirmou que a Rússia deveria buscar um acordo de paz e prometeu fazer “tudo o que puder” para encerrar o conflito. As declarações foram feitas após uma reunião que descreveu como “muito boa” com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e outros líderes do G7.
Zelenski, por sua vez, publicou uma imagem do encontro, destacando que o “foco principal é fortalecer a defesa aérea da Ucrânia e avançar na diplomacia para fazer a Rússia encerrar sua guerra”. Diplomatas europeus classificaram o tom da reunião como construtivo. A chancelaria da União Europeia expressa a esperança de convencer Trump de que posições anteriores dos EUA, consideradas excessivamente favoráveis a Moscou, precisam ser reavaliadas, especialmente diante das recentes incursões de drones ucranianos em território russo, que melhoraram a posição de Kiev.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou essa percepção: “A maré está virando a favor da Ucrânia. A situação em 2026 é muito diferente da de 2025. A Ucrânia está defendendo bravamente a linha de frente. O desgaste da Rússia está cada vez mais evidente. Este é o momento de reforçarmos nosso apoio.” Zelenski busca, assim, renovar o impulso diplomático e ampliar o papel da Europa, tendo inclusive oferecido um encontro com Vladimir Putin durante a cúpula do G7, proposta que o líder russo tem rejeitado, a menos que ocorra em Moscou. Para mais informações sobre a geopolítica global, acompanhe as análises do Diário Global.
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