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Unifesp revoluciona diagnóstico de câncer no SUS com centro de testes genéticos

Saúde

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) deu um passo significativo para aprimorar o combate ao câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) com a inauguração, nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, de um novo centro de diagnóstico. A iniciativa, focada no uso de testes genéticos avançados, promete transformar a abordagem oncológica para pacientes da rede pública, oferecendo um caminho mais rápido e preciso para a detecção da doença e a personalização dos tratamentos.

Este avanço representa uma esperança para milhares de brasileiros, pois a proposta central é acelerar o diagnóstico de câncer e outras doenças do sistema imunológico, aumentando as chances de detecção precoce, de cura e de terapias mais eficazes. O projeto inicia seus atendimentos no Hospital São Paulo, ligado à universidade, com a ambição de expandir gradualmente para outras unidades do SUS, embora sem uma data definida para essa ampliação.

Avanço na Detecção: Testes Genéticos e Precisão

O grande diferencial do novo centro reside na capacidade de identificar alterações genéticas específicas nos tumores. Essa tecnologia permite uma compreensão aprofundada da doença, indo além do diagnóstico tradicional e abrindo portas para a medicina de precisão. Segundo a professora Soraya Smaili, coordenadora do centro oncológico, o objetivo primordial é reduzir drasticamente o tempo entre a suspeita clínica e a confirmação molecular do câncer, um dos maiores desafios enfrentados pela saúde pública atualmente.

A expectativa é que, com as novas tecnologias, o diagnóstico de câncer possa ser realizado em um período muito menor, de até um dia em alguns casos. Além da rapidez, a precisão molecular permite identificar sinais da doença antes mesmo do surgimento de sintomas evidentes, o que é crucial, especialmente para pacientes com histórico familiar ou que pertencem a grupos de risco. Essa capacidade de detecção precoce é um fator determinante para o sucesso do tratamento e a melhoria do prognóstico.

Tratamentos Personalizados e Acesso no SUS

Inicialmente, o centro focará em casos de câncer de mama, tireoide, pulmão, endométrio, colo uterino e colorretal. A escolha desses tipos de câncer não é aleatória; ela se baseia na existência de tratamentos já liberados e disponíveis no SUS que podem ser otimizados pela informação genética. “Não adianta nada fazer um diagnóstico que depois você não consegue tratar na rede pública”, explica Smaili, ressaltando a importância da integração entre diagnóstico e terapia.

A identificação da alteração genética específica de cada tumor permite indicar a medicação ou terapia mais eficaz para aquele paciente, evitando tratamentos genéricos que podem ser menos eficientes e causar mais efeitos colaterais. Por exemplo, pacientes com câncer colorretal metastático que apresentam mutação nos genes KRAS ou NRAS podem ser elegíveis para um tipo específico de medicação já disponível no SUS. Da mesma forma, em casos de câncer de pulmão, a detecção de alterações no gene EGFR orienta o uso de inibidores de tirosina quinase (TKI), também acessíveis na rede pública. Para o câncer de mama, o teste HER2 é fundamental para direcionar o acesso a medicações específicas liberadas pelo SUS.

Desafios e Perspectivas de Expansão

Embora o centro comece atendendo pacientes do Hospital São Paulo, a visão é de longo alcance. Há conversas em andamento com a Prefeitura de São Paulo e o Ministério da Saúde para expandir o alcance dessas tecnologias para outros hospitais públicos na capital, e potencialmente para outras cidades e estados. Essa ampliação é vital para que o impacto do centro seja sentido em larga escala, democratizando o acesso a essa tecnologia de ponta.

O projeto conta com um investimento robusto de R$ 10 milhões, provenientes da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, além do Ministério da Saúde e da própria Unifesp. Com essa estrutura, o centro tem capacidade para realizar centenas de exames por semana, embora a quantidade exata não tenha sido detalhada, o que demonstra o potencial de atendimento.

O Impacto na Vida dos Pacientes e na Saúde Pública

A presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), Clarissa Baldotto, enfatiza a relevância dessas análises genéticas na oncologia moderna. “Hoje, para muitos tumores, a gente precisa da análise genética do tumor para tomar decisões em relação ao tratamento e ao prognóstico do paciente”, afirma. Ela destaca, contudo, que esse tipo de exame ainda não faz parte da rotina da maioria dos serviços de saúde no Brasil.

A iniciativa da Unifesp, portanto, não é apenas um avanço tecnológico, mas um marco na busca por equidade no acesso a tratamentos de ponta. Ao integrar o diagnóstico de câncer genético ao SUS, o centro contribui para que pacientes da rede pública tenham acesso a uma medicina mais personalizada e eficaz, que pode significar a diferença entre a vida e a morte, ou entre um tratamento com menos efeitos colaterais e uma melhor qualidade de vida. É um passo fundamental para alinhar a saúde pública brasileira às práticas mais avançadas da oncologia global.

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