Zema provoca Tebet e Marina como 'paraquedistas' em São Paulo; definição de vice em pauta

Zema provoca Tebet e Marina como ‘paraquedistas’ em São Paulo; definição de vice em pauta

Politica

O cenário político brasileiro para as eleições de 2026 já começa a se desenhar com declarações contundentes e estratégias pré-eleitorais. Em um evento realizado na capital paulista, o pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, não poupou críticas a figuras proeminentes da política nacional, insinuando que Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) seriam “oportunistas” e “paraquedistas” em São Paulo. As falas de Zema, proferidas durante o Encontro Nacional do Novo, adicionam mais um capítulo à polarização e aos embates que marcam o período pré-eleitoral.

A controvérsia surgiu enquanto Zema manifestava apoio a Ricardo Salles (Novo), pré-candidato ao Senado por São Paulo. O ex-governador aproveitou a ocasião para tecer comentários sobre a presença de candidatas de outros estados na disputa paulista, gerando repercussão imediata e levantando questionamentos sobre a dinâmica das candidaturas e a representatividade regional no pleito.

Zema e a crítica às “aventureiras” em São Paulo

Em seu discurso, Romeu Zema foi direto ao abordar a questão da representatividade em São Paulo. “São Paulo se transformou numa terra de oportunistas. Nós estamos aí com candidatas que não são de São Paulo e que vieram para cá, porque parece que, em seus estados de origem, não têm muita chance. São aventureiras que estão aqui, paraquedistas. Tenho certeza do meu apoio total a Salles”, declarou o pré-candidato.

A fala de Zema foi um endosso claro a Ricardo Salles, que foi ministro do Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro e atualmente exerce o mandato de deputado federal por São Paulo, seu estado natal. A estratégia de Zema parece ser a de fortalecer os nomes de seu partido e, ao mesmo tempo, questionar a legitimidade de candidaturas que, segundo ele, não teriam raízes profundas no estado.

As trajetórias de Tebet e Marina sob o microscópio político

As críticas de Zema foram direcionadas a duas figuras com carreiras políticas consolidadas, mas com origens fora de São Paulo. Simone Tebet, nascida em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, construiu sua trajetória política em seu estado natal, onde foi deputada estadual e senadora. Em 2022, candidatou-se à Presidência da República e, atualmente, ocupa o cargo de ministra do Planejamento e do Orçamento no governo Lula 3.

Em sua defesa, Tebet já havia argumentado em entrevista recente concedida à Folha que sua conexão com São Paulo é significativa. Ela citou ter nascido na divisa com o estado, o fato de seu marido ser natural de Birigui, no interior paulista, além de ter realizado seu mestrado na capital e ter suas filhas residindo na cidade há uma década. Esses laços, segundo a ministra, justificariam sua atuação política na região.

Marina Silva, por sua vez, é natural do Acre, estado onde iniciou e consolidou sua carreira política. No entanto, há quatro anos, foi eleita deputada federal por São Paulo e, no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assumiu o Ministério do Meio Ambiente. Procuradas para comentar as declarações de Zema, as assessorias de Marina e Tebet não se manifestaram.

A ministra Marina Silva já havia se posicionado sobre críticas semelhantes no passado, afirmando que elas possuem um “fundo misógino”. Ela destacou que “homens de outros estados foram ‘acolhidos com tapete vermelho'”, em uma clara referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é nascido no Rio de Janeiro e fez sua carreira política em Brasília antes de se candidatar e vencer as eleições no estado paulista.

A busca pelo vice e os planos para 2026

Além das críticas às adversárias, Romeu Zema também abordou a formação de sua chapa para 2026. Ele indicou que a definição de seu vice pode ocorrer apenas após as convenções partidárias, com prazo final no início de agosto. Entre as possibilidades aventadas, Zema mencionou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que já demonstrou simpatia por algumas de suas postagens nas redes sociais.

“Eu fico muito satisfeito. É uma possibilidade, sim, assim como outras são”, afirmou Zema sobre Michelle Bolsonaro. Contudo, a concretização dessa aliança é vista como improvável, uma vez que o Partido Liberal (PL) tem planos de lançar Michelle como pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal e Flávio Bolsonaro como presidente da República, o que configuraria um cenário de disputa interna na direita.

Em um panorama de fragmentação na direita brasileira, o ex-governador de Minas Gerais aposta em sua popularidade, especialmente em sua “crítica aos intocáveis”, termo que utiliza para se referir aos privilégios de ministros e outras figuras públicas. Zema também reiterou sua intenção de privatizar estatais como a Petrobras e o Banco do Brasil, caso seja eleito presidente. Ele ainda comentou sobre outros pré-candidatos, como Renan Santos (Missão), a quem descreveu como alguém que “dá tiro para todo lado e faz espetáculo”, mas que representa um nicho específico do eleitorado.

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