Atraso do governo Lula na definição do Imposto Seletivo eleva insegurança jurídica nas empresas

Atraso do governo Lula na definição do Imposto Seletivo eleva insegurança jurídica nas empresas

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O governo federal enfrenta um desafio crítico de cronograma que coloca em xeque a implementação do chamado Imposto Seletivo, popularmente conhecido como o “tributo do pecado”. Com o prazo final para a definição das alíquotas fixado para este sábado, a ausência de uma definição clara por parte da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva tem gerado um clima de apreensão e insegurança jurídica entre empresários e investidores brasileiros.

O impacto da noventena na arrecadação federal

A urgência na publicação das regras decorre do princípio constitucional da anterioridade nonagesimal, a famosa “noventena”. Para que o tributo entre em vigor em 1º de janeiro de 2027, o governo precisa oficializar as alíquotas com antecedência mínima de 90 dias. Caso o prazo deste sábado seja perdido, a cobrança terá de ser adiada, comprometendo diretamente a meta de arrecadação prevista no orçamento de 2027, que projeta receitas na ordem de 42 bilhões de reais.

Além do impacto financeiro, o atraso desvirtua o propósito extrafiscal do tributo. O Imposto Seletivo foi desenhado para desestimular o consumo de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e veículos poluentes. Sem a definição das taxas, o governo perde a capacidade de sinalizar ao mercado e aos consumidores a política de preços que pretende adotar para o próximo ciclo anual.

Incerteza jurídica e o planejamento corporativo

Para o setor privado, a falta de clareza sobre a carga tributária é um entrave para a gestão de contratos e investimentos. Empresas de diversos segmentos dependem dessa definição para ajustar suas margens de lucro, precificar produtos e organizar o fluxo de caixa. Especialistas em tributação orientam que o empresariado trabalhe com múltiplos cenários hipotéticos, revisando cláusulas contratuais de repasse de custos e preparando sistemas fiscais para uma adaptação que, caso ocorra, será feita sob pressão de tempo.

Os riscos das medidas provisórias e o papel do Congresso

A estratégia do governo de utilizar uma Medida Provisória (MP) para instituir o tributo adiciona uma camada extra de complexidade. Embora a MP tenha força de lei imediata, ela depende da aprovação do Congresso Nacional em até 120 dias para não perder a validade. Existe ainda o risco de judicialização: impostos criados por MP precisam ser convertidos em lei no mesmo ano de sua edição para que a cobrança seja considerada válida no exercício seguinte.

Se o Legislativo não concluir a votação até 31 de dezembro de 2026, a cobrança pode ser contestada nos tribunais, criando um cenário onde empresas recolhem valores que podem ser questionados posteriormente. Esse ambiente de instabilidade jurídica é um dos principais pontos de preocupação de entidades setoriais, que temem um efeito cascata de litígios e incertezas sobre o passivo tributário das companhias.

O Diário Global segue acompanhando os desdobramentos desta pauta econômica e os impactos da reforma tributária no cotidiano do brasileiro. Continue conosco para entender como as decisões em Brasília moldam o cenário de investimentos e o futuro da economia nacional com a profundidade e a credibilidade que você exige.

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