Uma mudança significativa na dinâmica geopolítica da América Latina foi revelada pela mais recente pesquisa Latinobarómetro, publicada com exclusividade pela The Economist. Pela primeira vez na história do levantamento, a influência da China é vista de forma mais favorável pelos latino-americanos do que a dos Estados Unidos. Os dados, coletados em 17 países da região, apontam para uma virada na percepção pública que reflete as complexas relações internacionais e as políticas internas dos países.
A pesquisa, divulgada em 3 de outubro de 2026, destaca que a parcela de latino-americanos com uma opinião favorável sobre os Estados Unidos caiu de 73% em 2024 para 63% atualmente. Em contraste, 65% dos entrevistados consideram a influência chinesa positiva, enquanto apenas 57% veem a dos Estados Unidos da mesma forma. Este cenário inédito sugere um realinhamento de preferências e uma reavaliação do papel de cada potência na região.
A virada na preferência regional e o fator Trump
A pesquisa Latinobarómetro aponta que a deterioração da imagem dos Estados Unidos na América Latina coincide com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, há 20 meses. A postura que ele adota em relação à região, descrita como agressiva e com a visão de que seu país deveria dominar, parece ter impactado diretamente a opinião pública. Embora 69% dos entrevistados aprovem a captura do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, organizada por Trump em janeiro, apenas 35% acreditam que a intervenção americana beneficiará o país.
Essa dicotomia revela uma aprovação de ações pontuais, mas uma desconfiança generalizada sobre as intenções e os resultados a longo prazo da política externa americana. Quase dois terços dos latino-americanos desaprovam a maneira como Trump conduz as relações internacionais, embora seja notável que 61% dos entrevistados venezuelanos, especificamente, aprovem sua conduta, possivelmente devido à situação política interna de seu país.
