A decisão de abandonar o tabagismo traz benefícios que vão muito além da saúde pulmonar e cardiovascular. Uma pesquisa recente, que acompanhou mais de 32 mil adultos nos Estados Unidos ao longo de 25 anos, revelou que ex-fumantes apresentam um risco 16% menor de desenvolver demência em comparação àqueles que mantêm o hábito. Os resultados, publicados na revista Neurology, reforçam a importância da cessação do cigarro como uma estratégia fundamental para a preservação das funções cognitivas durante o envelhecimento.
Impactos do tabagismo na saúde neurológica
O estudo, que registrou 5.868 casos de demência durante o período de observação, observou que a interrupção do uso de cigarros não apenas reduz a probabilidade de diagnósticos neurodegenerativos, mas também está associada a um declínio cognitivo mais lento. A neurologista Jerusa Smid, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a relação entre o tabaco e o cérebro é mediada, em grande parte, pelo sistema vascular.
“O cigarro provoca lesão e disfunção vascular, aumentando o risco de acidente vascular cerebral (AVC). Sabemos que o AVC é um gatilho direto para quadros de demência”, afirma a especialista. Além disso, o tabagismo intensifica o estresse oxidativo, comprometendo as defesas naturais do organismo e favorecendo o acúmulo de proteínas anormais no cérebro, características comuns em doenças como o Alzheimer.
A importância da manutenção do peso após a cessação
Um dado curioso levantado pela pesquisa indica que os benefícios cognitivos foram mais expressivos entre ex-fumantes que conseguiram controlar o ganho de peso. Participantes que engordaram mais de 10 quilos nos dois anos subsequentes à interrupção do fumo não apresentaram a mesma proteção contra a demência. Esse achado sugere que o abandono do tabaco deve ser acompanhado de um estilo de vida saudável, incluindo monitoramento metabólico e nutricional.
A médica ressalta que a interrupção do tabagismo, quando aliada a programas de atividade física e controle de comorbidades como hipertensão, diabetes e colesterol elevado, potencializa a proteção cerebral. “Não sabemos quanto a interrupção do tabagismo influencia isoladamente, mas imaginamos que seja necessário um programa de controle de peso e acompanhamento da saúde cardiovascular”, observa Smid.
Estratégias para um envelhecimento saudável
O cenário atual de saúde pública coloca o tabagismo como um dos 14 fatores de risco modificáveis para a demência, conforme apontado por uma comissão internacional publicada na revista The Lancet. Estima-se que cerca de 45% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou adiados caso esses fatores fossem controlados ao longo da vida. Entre as medidas preventivas, destacam-se também a manutenção de uma vida social ativa, o tratamento de déficits auditivos e visuais, e o combate à depressão.
Embora o maior impacto positivo ocorra quando o indivíduo para de fumar antes dos 40 anos, a ciência é clara: nunca é tarde para colher os benefícios. A interrupção do hábito traz ganhos significativos em qualquer fase da vida, inclusive para idosos acima dos 65 ou 75 anos. O Diário Global segue atento às descobertas científicas que impactam o bem-estar e a longevidade da população, trazendo sempre informações fundamentadas para que você possa tomar as melhores decisões sobre a sua saúde.
