22.abr.2026 / Reuters

Brasil suspende exigência de visto para turistas chineses até o fim de 2026

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O governo brasileiro deu um passo estratégico para o fortalecimento das relações bilaterais e o fomento do setor de serviços nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026. O vice-presidente e presidente em exercício, Geraldo Alckmin, oficializou a suspensão da exigência de vistos para cidadãos chineses que desejam visitar o Brasil em viagens de curta duração. A medida, que possui caráter temporário, visa consolidar o país como um destino prioritário para o maior mercado emissor de turistas do mundo.

O anúncio ocorreu durante a cerimônia de abertura da 10ª edição do Salão do Turismo, em Fortaleza. O evento, organizado pelo Ministério do Turismo, serviu de palco para Alckmin destacar que a nova regra entrará em vigor já na próxima segunda-feira, 11 de maio. A decisão não é isolada, mas sim o resultado de uma construção diplomática que busca equilibrar o fluxo de pessoas entre as duas nações, que mantêm parcerias comerciais profundas há décadas.

Reciprocidade diplomática entre Brasília e Pequim

A isenção de visto para os chineses é fundamentada no princípio da reciprocidade, um pilar da diplomacia brasileira. Em junho de 2025, o governo da China já havia adotado medida semelhante, suspendendo a necessidade de visto para brasileiros. Esse movimento facilitou o acesso de empresários e turistas do Brasil ao território chinês, gerando uma pressão positiva para que o governo federal retribuísse a facilitação.

A costura política para este acordo foi finalizada no início deste ano. Em 23 de janeiro, o presidente Lula conversou por telefone com o líder chinês, Xi Jinping, comunicando a intenção de liberar a entrada de visitantes daquele país. A formalização agora, por meio de decreto publicado no Diário Oficial da União, encerra um ciclo de negociações que priorizou a desburocratização das fronteiras para fins específicos e limitados.

Impacto econômico e o potencial do mercado chinês

Durante seu discurso no Ceará, Alckmin enfatizou os números expressivos que justificam a medida. A China conta com uma população de aproximadamente 1,3 bilhão de habitantes e uma classe média em expansão com alto poder de consumo internacional. Mesmo com a burocracia anterior, o interesse pelo Brasil já estava em curva ascendente: o número de turistas chineses no país cresceu 35% no último ano.

Com a queda da barreira do visto, a expectativa do Ministério do Turismo é que esse crescimento seja potencializado. O Brasil busca atrair não apenas o turista de lazer, interessado em destinos naturais e culturais, mas também o viajante corporativo. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, e a facilidade de trânsito deve acelerar o fechamento de negócios e a prospecção de novos investimentos em setores como infraestrutura, energia e agronegócio.

Novas regras de visto e prazos para visitantes

A suspensão da exigência de visto não é irrestrita. O acordo estabelece que a isenção é válida para viagens com duração de até 30 dias. O benefício contempla visitantes que ingressem no território nacional para fins de turismo, negócios, trânsito aeroportuário ou participação em atividades artísticas e esportivas de curta duração. Para períodos mais longos ou atividades remuneradas em solo brasileiro, as regras de vistos de trabalho e permanência continuam vigentes.

O prazo de validade desta medida excepcional vai até o dia 31 de dezembro de 2026. Até lá, o governo monitorará o impacto da isenção na segurança pública e na economia para decidir sobre uma possível renovação ou a criação de um novo modelo de visto eletrônico mais ágil. A medida é vista como um teste importante para a política migratória brasileira frente a grandes potências globais.

Recordes no setor de turismo internacional

O anúncio chega em um momento de otimismo para o setor. Em 2025, o Brasil atingiu a marca histórica de 9,2 milhões de turistas estrangeiros, superando recordes anteriores e demonstrando uma recuperação sólida do setor no pós-pandemia. O ritmo de crescimento se manteve no início de 2026, com 3,4 milhões de visitantes internacionais registrados apenas no primeiro trimestre.

A integração com o mercado chinês é considerada a “última fronteira” para que o Brasil alcance patamares de visitação semelhantes aos de grandes destinos europeus ou norte-americanos. Especialistas do setor apontam que, além da isenção de visto, o país precisa investir na melhoria da conectividade aérea e na capacitação de guias e serviços de hotelaria para atender às especificidades do público asiático.

No Diário Global, mantemos o compromisso de acompanhar de perto as decisões que impactam a economia e as relações internacionais do Brasil. Continue acompanhando nossa cobertura para entender os desdobramentos desta medida e outras notícias que moldam o cenário nacional com profundidade e isenção jornalística.

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