Caminhar pode ser tão eficaz quanto treino aeróbico no controle da asma

Caminhar pode ser tão eficaz quanto treino aeróbico no controle da asma

Saúde

A eficácia da caminhada no manejo da asma

Para pacientes que convivem com a asma moderada a grave, a busca por alternativas de tratamento que vão além da medicação tradicional tem ganhado fôlego na ciência. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revelou que o simples aumento no número de passos diários pode ser tão eficiente quanto sessões estruturadas de treinamento aeróbico para o controle clínico da doença. A pesquisa, publicada na revista Pulmonology, aponta que ambas as abordagens não farmacológicas promovem melhorias significativas na qualidade de vida e no alívio de sintomas associados, como ansiedade e depressão.

O trabalho, que integra o doutorado do fisioterapeuta David Halen Araújo Pinheiro, foi realizado na Faculdade de Medicina da USP (FM-USP) em parceria com o Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas. O estudo contou com o suporte da Fapesp e do CNPq, reforçando a importância do investimento em pesquisas que buscam soluções acessíveis e flexíveis para doenças crônicas respiratórias.

Metodologia e intervenção clínica

O ensaio clínico acompanhou voluntários com idades entre 18 e 65 anos, diagnosticados com asma moderada a grave não controlada. Antes da intervenção, os participantes eram considerados sedentários, praticando menos de 150 minutos de atividade física moderada por semana. O grupo foi submetido a um programa de oito semanas, após passar por uma aula educativa sobre fisiopatologia da asma e o uso correto de medicamentos.

Os participantes foram divididos em dois grupos distintos. O primeiro realizou treinamento aeróbico em esteira, duas vezes por semana, sob supervisão profissional. O segundo grupo recebeu orientações comportamentais e incentivos para aumentar a contagem diária de passos, utilizando smartwatches para monitoramento. A avaliação dos resultados considerou não apenas o controle clínico da asma, mas também a qualidade do sono e o bem-estar psicológico dos pacientes.

Resultados e sustentabilidade a longo prazo

Os dados coletados após o período de intervenção e em um acompanhamento posterior de quatro meses mostraram que ambas as estratégias foram eficazes. “Ambas as intervenções são benéficas e proporcionam um melhor controle clínico da doença”, destaca Pinheiro. O pesquisador observa que, embora o treinamento aeróbico seja valioso, ele exige maior aparato técnico e supervisão constante, enquanto a caminhada se apresenta como uma alternativa mais prática para o cotidiano.

Um ponto de atenção levantado pelo estudo foi a manutenção da atividade após o fim do acompanhamento. Fatores como a variação climática foram apontados como os principais obstáculos para a continuidade dos exercícios. Contudo, mesmo com oscilações, os pacientes mantiveram níveis de atividade física superiores aos registrados antes do início do programa, o que demonstra que a mudança de hábito, uma vez iniciada, tende a perdurar.

O estudo, que pode ser consultado na íntegra através da Pulmonology, abre portas para que médicos prescrevam atividades físicas de forma mais personalizada. Ao validar a caminhada como uma ferramenta terapêutica, a ciência oferece autonomia aos pacientes, permitindo que o controle da asma seja integrado à rotina de maneira simples e sustentável.

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