Uma denúncia formal apresentada à Arquidiocese de São Paulo acusa o padre Júlio Lancellotti, conhecido por sua atuação em defesa da população em situação de rua, de ter utilizado recursos da Paróquia de São Miguel Arcanjo, localizada no bairro da Mooca, para cobrir despesas de um processo judicial pessoal. A alegação, feita por um vereador de São José dos Campos, levanta questões sobre a gestão de fundos e a transparência em instituições religiosas.
Os valores, que somam R$ 1.650, teriam sido destinados ao pagamento de guias de Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais (Dare) referentes a uma ação movida pelo próprio padre. A repercussão da notícia coloca em pauta a conduta de uma figura pública reverenciada por seu trabalho social, gerando debate sobre os limites entre a esfera pessoal e a institucional no uso de recursos eclesiásticos.
A acusação e os detalhes financeiros
A denúncia foi protocolada pelo vereador Thomaz Henrique (PL), de São José dos Campos, e encaminhada à Arquidiocese de São Paulo. Segundo o parlamentar, o padre Júlio Lancellotti teria utilizado a conta bancária da Paróquia de São Miguel Arcanjo para quitar duas guias de Dare no ano passado, especificamente em 2023. Os pagamentos, no valor de R$ 450 em fevereiro e R$ 1.200 em novembro, foram anexados à representação canônica como comprovantes bancários das transferências.
Essas despesas estariam ligadas a um processo que o padre moveu contra a vereadora Janaina Ballaris (União Brasil), de Praia Grande. A ação, iniciada em 2024, buscava uma indenização de R$ 30 mil por danos morais, alegando calúnia e difamação. A controvérsia surgiu após a vereadora associar publicamente o trabalho de Lancellotti a um “assistencialismo midiático”, declaração que motivou a disputa judicial.
O contexto da disputa judicial
O processo em questão, movido por Júlio Lancellotti contra Janaina Ballaris, teve seu pedido de indenização negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Este desfecho adiciona uma camada de complexidade à denúncia, uma vez que os valores supostamente utilizados da paróquia seriam para custear uma ação que não obteve êxito na solicitação de reparação financeira.
A vereadora Ballaris, ao fazer a crítica ao padre, tocou em um ponto sensível da atuação de figuras públicas com grande visibilidade, especialmente aquelas engajadas em causas sociais. O debate sobre o
