Formigamento no corpo: entenda as causas da parestesia e quando buscar ajuda médica

Formigamento no corpo: entenda as causas da parestesia e quando buscar ajuda médica

Saúde

O fenômeno da parestesia e suas origens

A sensação de formigamento, tecnicamente denominada parestesia, é uma experiência comum que a maioria das pessoas enfrenta em algum momento da vida. Manifestando-se frequentemente nos braços, mãos e pernas, o sintoma é muitas vezes descrito como uma série de agulhadas, dormência ou uma leve perda de sensibilidade local. Embora possa causar estranheza, na grande maioria dos casos, o incômodo é passageiro e está diretamente ligado a posturas inadequadas mantidas por períodos prolongados.

Segundo o neurocirurgião Hugo Sterman, médico do OncoStar, o fenômeno ocorre devido a uma disfunção, seja ela temporária ou contínua, no sistema sensitivo. Este sistema é o responsável por captar estímulos externos — como toque, pressão e temperatura — e transmiti-los ao sistema nervoso central por meio dos nervos. Quando essa via de comunicação é interrompida ou pressionada, o cérebro recebe sinais distorcidos, resultando na sensação de formigamento.

Postura e hábitos cotidianos

A causa mais frequente da parestesia é a compressão mecânica dos nervos. Situações cotidianas, como dormir sobre o próprio braço, cruzar as pernas por muito tempo ou permanecer imóvel em uma posição desconfortável, são gatilhos clássicos. É comum, por exemplo, despertar com a mão ou o braço “adormecidos” após uma noite de sono em que o membro ficou preso sob o travesseiro ou dobrado de forma inadequada.

Além da compressão direta, fatores emocionais e de tensão muscular desempenham um papel relevante. Vanessa Milanese, diretora da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, aponta que a contração excessiva da musculatura da nuca e do alto da cabeça, frequentemente associada a quadros de estresse, pode comprimir o nervo occipital. Esse processo resulta em formigamentos que se irradiam pela parte de trás da cabeça, evidenciando como o estado psicológico pode se manifestar fisicamente.

Fatores externos e condições clínicas

Nem todo formigamento é resultado de um simples “mau jeito”. O uso de determinados medicamentos pode desencadear o sintoma como efeito colateral. Sterman destaca que tratamentos específicos para câncer de pâncreas e gastrointestinal, que utilizam componentes à base de platina, podem causar uma polineuropatia tóxica. Nesses casos, a substância interfere no funcionamento dos nervos periféricos, levando à dormência persistente nas extremidades.

A nutrição também exerce um papel fundamental na saúde neurológica. A deficiência de vitamina B12, por exemplo, é um fator de risco conhecido para alterações sensoriais. Como o organismo humano não produz essa vitamina, a manutenção dos níveis adequados depende exclusivamente da dieta, com destaque para o consumo de carnes, ovos e peixes. A manutenção de uma alimentação equilibrada é, portanto, uma estratégia preventiva essencial.

Abordagens terapêuticas e sinais de alerta

Quando o formigamento é ocasional e desaparece rapidamente após a correção da postura, não há motivo para alarme. No entanto, quando o sintoma se torna recorrente ou persistente, a investigação médica é indispensável. O tratamento varia conforme o diagnóstico e o perfil de cada paciente, focando na causa primária da disfunção nervosa.

Para casos relacionados a tensões musculares crônicas, especialistas recomendam práticas que promovam o relaxamento e a reeducação postural. Modalidades como pilates, ioga e acupuntura são citadas por Milanese como ferramentas eficazes para liberar pontos de pressão que podem estar pinçando nervos. A fisioterapia também se apresenta como um caminho consolidado para a recuperação da sensibilidade e da mobilidade.

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