O cenário político fluminense é novamente palco de debates intensos, desta vez envolvendo o prefeito de São Gonçalo, Nelson Ruas dos Santos, conhecido como Capitão Nelson. Pai do deputado estadual Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo Partido Liberal (PL), Capitão Nelson se manifestou publicamente para negar veementemente as acusações de ter sido miliciano, um histórico que ressurge em meio à efervescência pré-eleitoral.
As imputações, que remontam a seu passado como policial militar e vereador, ganham destaque no contexto da corrida eleitoral de seu filho, trazendo à tona a complexa relação entre segurança pública, política e grupos paramilitares no estado do Rio de Janeiro.
Capitão Nelson: da Polícia à Política e as Antigas Acusações
Antes de ingressar na vida política, Nelson Ruas dos Santos, hoje com 68 anos, construiu uma carreira na Polícia Militar do Rio de Janeiro, o que lhe rendeu o cognome eleitoral de Capitão Nelson. Durante sua atuação na corporação, desempenhou funções estratégicas, incluindo o comando de uma guarnição de Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) e a chefia de uma seção P2 (inteligência, com policiais à paisana) do 7º Batalhão de Polícia Militar (BPM), justamente na cidade de São Gonçalo, que hoje administra.
Essa trajetória, marcada pela linha de frente no combate à criminalidade, é agora escrutinada por alegações que o conectam a atividades ilícitas. A transição da farda para o paletó político, comum no Rio de Janeiro, coloca em evidência os desafios de figuras públicas com passado na segurança, especialmente em um estado onde as fronteiras entre o legal e o ilegal muitas vezes se tornam tênues.
O Relatório da CPI das Milícias e o Cenário das Milícias Fluminenses
Um dos pontos mais sensíveis das acusações contra Capitão Nelson reside em sua menção no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), aprovado por unanimidade em 2008. Naquele período, ele já havia deixado a farda e atuava como vereador pelo Partido Social Cristão (PSC).
O documento da CPI, que se tornou um marco na investigação e denúncia da atuação de grupos paramilitares no estado, citou Capitão Nelson como um dos líderes de uma milícia que operaria no Jardim Catarina, em São Gonçalo. As milícias, historicamente formadas por ex-policiais, bombeiros e agentes penitenciários, surgiram sob o pretexto de oferecer segurança, mas rapidamente se transformaram em organizações criminosas que extorquem moradores, controlam serviços e disputam territórios, exercendo um poder paralelo que desafia o Estado.
Em sua defesa, o prefeito alegou que seu nome surgiu a partir de uma denúncia anônima
