Uma pesquisa inovadora desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que os benefícios da musculação transcendem o fortalecimento muscular e a perda de peso. O estudo, divulgado em 2 de julho de 2026 pela Agência Fapesp, demonstra que o treinamento de força é capaz de induzir uma verdadeira reprogramação molecular no fígado, oferecendo uma nova perspectiva no combate aos danos causados pela obesidade.
Os experimentos, realizados com camundongos, indicaram que a prática regular de exercícios de força pode modular o funcionamento do genoma, mitigando a doença hepática esteatótica – popularmente conhecida como fígado gorduroso. Esta condição, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no órgão, está intrinsecamente ligada ao surgimento e progressão do diabetes tipo 2, um desafio de saúde pública global.
A Conexão Inesperada entre Músculos e Fígado
A equipe de pesquisadores, coordenada pelo professor Leandro Pereira de Moura, da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, buscou desvendar como a atividade física nos músculos poderia gerar um impacto tão significativo e benéfico em um órgão vital como o fígado. A investigação mergulhou no cerne do metabolismo, o DNA, para compreender as agressões sofridas pela obesidade e a capacidade protetora da musculação.
O foco da pesquisa recaiu sobre a epigenética, um campo da ciência que explora como fatores externos, como hábitos de vida e condições ambientais, podem alterar a expressão dos genes sem modificar a sequência do código genético em si. Um dos fenômenos epigenéticos mais estudados é a metilação do DNA, um processo químico que pode ligar ou desligar genes, influenciando sua atividade.
Reprogramação Molecular e o Gene MTCH2
Nos experimentos com roedores, os cientistas observaram que apenas oito semanas de treinamento de musculação foram suficientes para alterar o padrão de metilação do gene MTCH2 (homólogo 2 do transportador mitocondrial). Este gene desempenha um papel crucial na forma como o fígado processa e utiliza a energia, sendo um ator importante na saúde hepática.
A obesidade impõe ao fígado um ambiente tóxico, onde o excesso de gordura se acumula nas células hepáticas, os hepatócitos. Esse acúmulo desencadeia uma inflamação crônica e compromete o funcionamento das mitocôndrias, as
